quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Lendas Urbanas (que deveriam ser verdade!) - Parte I


Ela estava ali, à espreita. 0h09min, horário exato do combinado. Ouviu o barulho de pedrinhas batendo na janela (tec-tec-tec). Era ele!

Friozinho na barriga, uma última olhadinha no espelho. É bom dar uma retocada no gloss. "Se meus pais descobrem...", pensa a jovem. Madá. Ruiva natural, de uns quinze, duns olhos cor de piscina, cabelos ondulados, com uma beleza exótica. Sabia o golpe fuminante e certeiro que tinha a sua habilidade única de combinar aquele vestidinho branco com um par de All Star. Ficava uma graça! Ganhava uns ares infantis, mistério de rabo de olho e um pinguinho de vergonha na cara.


Ninguém podia saber. Ninguém. O caso já durava seis meses. Uma paixão. Algo arrebatador e inacreditável.

Não que fosse, assim, errado o que ela fazia todos os sábados neste horário. Não gostava muito de sair sexta à noite; preferia ficar acordada no quarto, ouvindo seu Ipod, esperando a madrugada chegar. Era mais que o perigo: era algo ao qual ela não podia negar, não conseguia resistir! Demonstrar amor não tem preço.

Era mais forte que ela. Aquele ardor no peito, aquela vontade de gritar para o mundo ouvir o que as madrugadas de sábado traziam! Apesar do frio, do nevoeiro e do moletom velho de capuz, aquentava-se com aquela emoção dentro dela.
O tec-tec continua. "Já vai!", sussurra ela. Um moço a espera,com os braços esticados, para que ela pulasse da sacada. Já estavam acostumados àquilo; era um caso de tempos. Um caso de amor. Não um simples amor. Logo vocês entenderão. Pegou o chapéu e foi. Executado o salto, saíram os dois a rir e a correr pelas ruas da madrugada fria da floresta de aço. Mas não tinham tempo para brincadeira. Estavam em missão.



To be continued...


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Síndrome de Peter Pan


Jogaram de lado a minha boneca

Não vi mais o carrinho de algodão doce

Descobri que, no fim do arco-íris, não tem ouro coisa nenhuma

E que a vida é dura, e não é para os fracos.


Me contaram que eu tenho que crescer

E que, no mundo dos adultos, não tem espaço pra boneca

Que algodão doce engorda

Que ouro é o que move o tal Capitalismo

E que todo mundo amadurece um dia (todo mundo?).


Mas eu ainda prefiro sonhar

Que, no meu mundo, há lugar

Pros meus brinquedos, folguedos

Desejos e doces

Pras maçãs do amor

E pras Polly Pockets


E que, mesmo sendo grande demais

Pra brincar de boneca,

Comer algodão-doce,

Ou procurar ouro,

Eu ainda posso ser

pequenininha

Com o coração do tamanho dos meus sonhos

Sonhos feitos na padaria

Sonhos feitos na alma

Que arrepiam até a unha do pé!


Deitada no chão

Da sala de estar

Do quarto de brinquedos

Um mundo tão sério

Tão bravo e carrancudo

Que resolvi fazer cosquinha

E tudo acolorou-se de novo

Cor-de-criança-da-cara-melada

Rolando de gargalhada

Cresci, fiquei enorme

Sujei o meu uniforme

[tão sério de Senhora


E virei Peter Pan!

sábado, 8 de dezembro de 2007

Eu não me conformo...


Não me conformo com este mundo. Eu não me conformo.


Péssimos exemplos se tornando "lições de vida", atos indignos lutando para ter uma dignidade, sordidez de ações em alta, a moda da prostituição, do uso de drogas "legais", do ser-objeto hedonista, do chauvinismo raquítico, da ironia social.


Carpe Diem corrompido, libertino, ridículo. Inconsciência. Inconsequência. Egoísmo em busca de um prazer vazio, imoral, individualista. Não há amor, não se pensa mais no outro. Meu umbigo torna-se o centro de todos os universos. Não importa se a vida de outrem tem valor, não importam as vontades e necessidades do próximo (eu o quero bem longe; próximo? Só quando me convém!).


Impune. "A vida é minha, e eu faço o que quiser. E que se lasque! Conseqüências?! Por que você não cuida da sua vida? Eu quero é me acabar, e ninguém tem nada com isso". É o que se diz. Egoísmo, libertinagem, inconseqüência. Até quando?


Seres rastejantes. Feitos nauseantes. Bizarro. Hipócrita. A qualquer preço, a qualquer custo. Nem que seja o do sangue, o da honra, o da rebeldia sem causa. Ignóbeis. Ignorantes. Objetos, apenas, prontos para serem jogados, arremessados, pisoteados. Mas que diferença faz para eles? Eles só querem "causar", "chocar", "enojar", "invejar"...


Eles não precisam de paz nenhuma. Nem de felicidade. Eles só querem corrupção. E corrompem mascarando-a de dignidade, travestindo-a de modismo, de modernidade, de falsa liberdade. "Todo o mundo faz. Você nãoooo??? Você tem algum problema??? Mas hoje em dia é normal! Agora não tem mais jeito! Século 21! Os tempos mudaram!!"


Mudaram. Pioraram. E eu não me conformo. E nunca vou aceitar isso. Me julguem, desprezem, me tratem como estranha; eu não me importo. Eu não serei conivente. Eu não aceito. Eu não me conformo.


Pode parecer loucura. Mas a loucura de não resignar-se pode descamar olhos cegos, céticos e niilistas, que crêem que não há mais nada a fazer, a não ser "fazer parte da massa". Só que essa massa apodreceu, criou vermes, embolorou, e seus correligionários ainda se lambuzam nela.


Não, muito obrigada. Eu não aceito, nem me conformo com este mundo, e nada vai me fazer mudar de idéia. Sozinha não posso mudá-lo, mas posso fazê-lo pelas palavras dos meus lábios, e pelo fogo que arde em meu coração. Levanto os meus olhos para o Alto. Ele já vem, e fará Sua justiça valer acima de todas as coisas.


Não vou me vender.


Não vou me render.


Não, eu não me conformo com este mundo.


(Romanos 12:2)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Adeus.


Nota da editora: eu NÃO abandonei este blog! Só estou na correria por causa da temporada de vestibulares, mas agora estou de FÉRIAS, e voltarei a escrever com freqüência.


Sem mais,


Atenciosamente


"A jornalista"

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Okay, passada a encheção de lingüiça (rsrs), vou abordar um tema que todo fim de ano que se preze nos traz: despedidas.


Posso ter exagerado um pouco ao intitular este post de "Adeus", afinal, poderemos voltar a ver as pessoas das quais nos separamos. Ou não, o que me dá toda a razão de este título ser.


Acabei de concluir o Ensino Médio, e este foi um dos melhores anos da minha vida na escola. Fiz amigos, conheci pessoas legais, estudei pra caramba, pintei e bordei (no bom sentido!)... E isso realmente vai deixar saudades imeeeensas. Como no final de nossa festa de despedida hoje, no colégio. Choramos baldes, já que, ano que vem, vamos embora, estudar, fazer faculdade e, como disse um de meus colegas: "Agora é que a vida começa".


Ultrapassamos aquele velho portão pela última vez. A vida se inicia. Toma força, cria vida própria. Um nó me aperta a garganta; é impossível segurar as lágrimas. Impossível não lembrar dos risos malucos, das lutas que enfrentamos, das aulas de Química Orgânica ("é méééti, éééti, próóópi e buuuti" - dizia a professora), do frango frito da merenda escolar toda sexta-feira, dos meninos jogando truco no fundão, da Segunda Lei de Mendel, dos malas enchendo a paciência, dos filmes nas aulas vagas... Será mesmo que tudo passa?


Não é o último ano da vida, mas parece ser o último ano de um pedaço dela, que não morre, mas fica na lembrança eternamente. Quem é que não se lembra do colegial? Aquela "fase" pela qual passamos, identidade em formação, mudança de estilo, personalidade, bipolaridade, ânimo desanimado, loucura de vida... Os amigos, as festinhas, as gargalhadas, os celulares que tiram foto e os que não tiram... Tudo é parte do todo, encaixando-se num quebra-cabeça nostálgico, de um tempo que não volta mais, mas que marca a passagem para um novo tempo.


É, nesses momentos, eu acho que sofro da síndrome de Peter Pan.


* Foto: 3º A - minha sala! (eu sou a de trancinhas e gorro) - essa homenagem é pra vocês!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Infância.


Ainda me lembro das Barbies espalhadas pelo chão. Das brincadeiras inventadas nas ruas, dos tombos de bicicleta, da franjinha encaracolada que minha mãe teimava em me fazer usar. Da historinha do "Natal dos Serelepes" que ela lia pra mim antes de dormir. Do cheiro de bolo de chocolate se espalhando pela casa.


Eu, criança, a menorzinha da classe, amava alimentar as bonecas quando podíamos levar brinquedos à escola. Dividia minha merenda com elas. Minhas amigas. Minha infância.


Inventava brincadeiras, descalça, correndo pelo quintal, por todo espaço que me dessem. E todos aderiam. Inventei a brincadeira do "Cacto", a da "Nega maluca", e mais umas quinhentas outras que eu nem me lembro mais. Não gostava de pega-pega. Só sei que me divertia muito!


Roubava flores do jardim em frente à casa da vizinha. Subia em árvore. Nadava em rio. Fazia caretas pro espelho. Lia gibi da Magali. Assistia a Doug Funnie e TV Colosso, além de 50 vezes por semana ao filme da Bela e a Fera. Comia bolinho de chuva e saía correndo.


Mas daí... daí eu tive que crescer. Me lembro de como tudo era simples. Hoje, a vida traz o que antes não esperávamos: responsabilidades. Força-se a maturidade quando tudo ainda é tão verde...


Esquecemo-nos de que, algumas vezes, se agirmos como crianças e deixarmos de lado as preocupações e a velha mania de "o dever nos chama", as coisas se tornarão mais simples. Não que a maturidade e os deveres devam ser deturpados. Mas a infância nos remete à riqueza de alma, ao descanso, à pureza, e à essencialidade de ser como realmente somos: eternas crianças.

sábado, 10 de novembro de 2007

Tempo



"Ah... vida tão breve!"
"Compra-se tempo de sobra!"


Cadê tempo pra qualquer coisa? Cadê tempo pra parar, cadê tempo pra pensar? Cadê tempo pra respirar, cadê tempo pra dar um tempo?



TEMPO, TEMPO, TEMPO... EU NÃO TENHO TEMPO.



Quero tempo pra deitar com as pernas para o ar, fazer bola de chiclete, nas minhas coisas pensar(que não sejam análises literárias, nem fórmulas matemáticas, nem equações quadráticas enfáticas enfadonhas), tempo pra viver só de essência. Ser humano foi feito pra essência, e não pra correr atrás do vento, atrás do TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO... Sempre esse TEMPO!!!!



Tempo tac, tempo tic, tempo corre, tempo urge, tempo anda, tempo voa, tempo

esgotado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



E eu corro atrás dele...

... e ele só corre de miM

Volta aqui, seu malandro!

!vem me pegar entãO
E eu corro contra ele...
...esse menino fujãO

E eu tictactictactictaquear

E eu tictactictactictaquear

E eu tictactictactictaquear

E eu não sei mais ondeéqueissovaiparar

Sóvaipararsóvaiparardetiquetaquear


Ufa... cansei!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Eu e o vestibular (II)


Bem, eu estive fora por uns dias, em Acampamento evangélico, por isso não escrevi. Não posso deixar de dizer o quanto Jesus é maravilhoso, e o quanto Ele fala ao coração daquele que está disposto a ouvi-lo. Experimente você também da presença de Deus: é bom demais!!


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Cara... Você que é vestibulando como eu deve saber do que estou falando: FALTAM 20 DIAS PARA O EXAME DA FUVEST!! Oh, my God! O que fazer nessa hora? Meses a fio estudando, perdendo tardes de sábado debruçada sobre apostilas, fundindo os miolos com fórmulas físicas e regras de sintaxe, mitose, orgânica, geometria da molécula... E aí, surge a questão (quase) existencial: valerá a pena?!


O "passar" ou não no vestibular é algo muito relativo. Não adianta você ser o clone do Einstein se, na hora da prova, te dá um nervosismo lascado e você esquece tudo. E nem ficar bitolado, deixando de comer e dormir para estudar, ou enfiar na cabeça que sua vida depende desta prova. Não estou desmerecendo esforço de ninguém, já que eu também ralo pra caramba. Mas ah, gente... Convenhamos: esta prova não mede inteligência, ou capacidade, ou criatividade de ninguém. O vestibular apenas te dá "qualificações" a respeito da matéria que lhe é suposta ter sido adquirida ao longo do Ensino Médio. Fazer o quê, Brasil, né?! Daí, a gente dá uma olhadinha lá fora (Tio Sam, de novo) e vê que lá essa história de ingresso na Universidade é bem mais democrática, sem ter que enfrentar o "monstro vestibular". O que vale é o esforço feito durante toda a vida escolar. Isso, aqui no Brasil, iria cortar um punhado de desocupados e, pelo menos, botar o povo na linha.


Enquanto isso, bora nos preparar. Aliás, já é para estarmos preparados faz tempo! Nem adianta querer estudar tudo agora, meu filho, porque daí... é perda de tempo.


Faça sua parte. Não passou?! Fazer o quê... Aproveitemos as férias! O importante é fazermos nossa parte. E relaxar. Comer bolinho de chuva da vovó, dançar adoidado pelo quarto e torcer para que o melhor aconteça.


Isso aê. FUVEST vem aí. Eu quero passar. E você?