sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

ON VACATIONS...


...Vou demorar uns dias para voltar a escrever...

Tá pensando o quê?! Ser uma "teen writer" também cansa, às vezes...

hahaha...

Façam como eu: Feliz férias e boa viagem! =)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Ela gostava de sair à janela, espiar os fogos de final de ano. Desde criança, amava fazer isso no finzinho das festas, quando todo mundo já estava com sono e quando toda a comida já tivesse acabado. Para ela, era uma coisa única.
Quando ela era pequena, pensava que aqueles fogos eram mágicos, e que, assim que eles eram lançados ao ar, acontecia algo sobrenatural, e o ano mudava. Os adultos diziam a ela que, durante o curto intervalo de tempo entre um ano e outro, algumas coisas podiam trocar de lugar (cachorro miar, gato latir, calças serem usadas como chapéu por macacos tailandeses...). Ela nunca havia conseguido pegar um fenômeno desses, mas ficava ali, sempre atenta, esperando para pegar um de surpresa.

Agora, Madá já estava bem grandinha para essas coisas. Mas ela ainda ficava ali, sempre espiando, sempre esperando que algo extraordinário acontecesse na passagem do ano. Bem que essa mágica poderia fazer judeus e palestinos se darem as mãos, ou fazer com que Bush e Bin Laden se tornem amigos de infância, ou com que o capitalismo caia da moda.

Sonhos de 2007... Para transformar 2008, mesmo que sejam só desejos...

E a nossa heroína, assim como nós, quer transformar o ano novo num novo ano.

Tentemos juntos!

FELIZ 2008 e Feliz post novo!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Meu Natal


Não vim aqui hoje pra ficar falando "clichês" sobre o Natal: que é época de dividir, de pensar no próximo, e talz. Todos estamos bem grandinhos para não sabermos disso, não é?
Bem, vamos ao post de hoje...
Como já era de se esperar no meu Natal, nada daquele velho imaginário, de roupa vermelha, que vem da neve (no verão? ahã... e o Bozo...), nesse calor tropical que, nossa, como será que aqueles caras agüentam usar aquela fantasia tãão quente (e brega)? (risos) Sem contar a ginástica que fazem para lograr a criançada e fazê-las acreditar no tal "Noel". E fazê-las achar que Natal é, pura e unicamente, época de ganhar presentes...

Eu nunca fui com a cara do Papai Noel. Por mais que me falassem que ele era bonzinho, que trazia presentes, que entrava pela chaminé, eu sempre soube que era tudo mentira. Principalmente aqueles que corriam atrás de mim nos shoppings, para me dar balas... Argh! E, nem por isso, tive Natais menos alegres ou menos cheios de infância do que as outras crianças que amam o "bom velhinho". Mas fala sério: é meio esquisito você realmente acreditar que aquele "Gremelin", usando aquela roupinha vermelha quente pra dedéu, tenha interesse no nosso "rain country" (que passa fome adoidado, cheio de problemas econômicos e, ironicamente, presentes de Natal a comprar).

O Natal já perdeu a essência. Natal lembra nascimento. E a festa de aniversário não é do São Nicolau, nem dos duendes e renas do nariz vermelho, mas do Filho de Deus. A decoração não tem nada a ver com guirlandas, neve ou cerejas, mas tem cara de estrebaria. O brilho da data não vem das fitas que decoram as caixas de presente, mas da estrela que levou os três reis magos ao Salvador do mundo. Aquele mesmo, que levou sobre si as nossas culpas, cujo castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, que nos sarou com suas chagas, e do qual muitos só se lembram quando a coisa aperta... E, ainda assim, se esquecem de que Ele renasceu, ressucitou, e não continua pregado numa cruz em dor.

Ele vive!

É Natal!

Jesus nasceu!

Jesus morreu (POR VOCÊ)...

...mas RESSUCITOU!!

Glória a Deus!
♪ JESUS TE AMA ♪


♪ We wish you a Merry Christmas, and a Jingle Bell Rock! ♪

sábado, 15 de dezembro de 2007

Lendas Urbanas (que deveriam ser verdade!) - Final


Era uma senhorinha idosa, daquelas típicas de bom coração. Todas as sextas-feiras, esperava ansiosamente pela visita dos "guris", como ela os chamava. Usava um lencinho colorido, cobrindo os poucos cabelos que tinha, e um vestido maltrapilho. Sorria um sorriso de poucos dentes, mas de muita sinceridade e simpatia.

Madá e Niko já foram entrando, sem cerimônia nenhuma. Já eram "de casa". Ao encontro deles, correu a menininha, netinha daquela senhora. "Oi tia!", gritou, ao ver Madá, que abriu os braços para ela. Enquanto isso, Niko correu até o quartinho escuro e úmido, para dar os remédios ao velho Damião, cardíaco e preso a uma cama - um colchão de espuma coberto por um cobertor corta-febre. Não havia luz elétrica; tudo era iluminado por velas.

O casebre era quase inabitável, mas havia melhorado muito desde que Madá e Niko começaram a ajudar aquela família. Era uma família incompleta e humilde: Damião e a velha Jocasta perderam a única filha e o genro numa chacina. A filha do casal, Maiara, conseguiu sobreviver, e foi entregue para ser criada pelos avós, pobres e sem-teto. É uma família rotulada naquela cidade como "os sem-teto", "os ciganos", "os inválidos". São considerados a escória da sociedade. E isso despertou a compaixão em nosso heróis, que passaram a fazer de tudo para ajudá-los. Mas precisavam manter segredo sobre sua missão, pois aquela pequena cidade destilava preconceito. Ajudar os "sem-teto" seria considerado um ato de vandalismo, audácia e rebeldia.

Mas aqueles dois não se importavam. Mantinham o segredo, para que a paz fosse mantida naquele lar. Ironia ter que esconder-se para fazer o bem, numa sociedade que busca viver de aparências e falsa filantropia.

Além dos alimentos, Madá e Niko haviam trazido cobertores e agasalhos velhos; tudo o que conseguiram juntar de seus armários. Enquanto Niko ajudava os velhos com os remédios, Madá dava banho em Maiara - com uma toalha molhada, já que na casa não havia água. E terminavam a madrugada juntos, conversando sobre qualquer coisa com os velhos, ouvindo-os, oferecendo-lhes amizade e amparo para sua solidão. A menina adormecia no colo de Madá. A madrugada findava, e os jovens deixaram a casa antes do amanhecer, com a sensação de missão cumprida. Madá sorria. E isso se repetiria por inúmeras e inúmeras madrugadas de sábado, até que as barreiras da ignorância e dos rótulos fosse derribada naquela cidade. Não se importavam com o perigo: para eles, o maior perigo era ver uma família definhar por falta de amor.

Talvez o leitor esperasse um romance romântico, ou uma missão "impossível", cheia de adrenalina e efeitos cinematográficos. Mas há, porventura, missão mais honrosa que a de Madá e Niko, que é amparar o desamparado e prover o necessitado? Quantas "Madás" e "Nikos" você conhece?

E você? Qual é sua grande missão?



FIM

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Lendas Urbanas (que deveriam ser verdade!) - Parte II


"Ei! E casos de amor precisam lá de missões?", o leitor deve estar se perguntando. Mas não era qualquer caso de amor. Não se tratava de mais uma aventurinha de adolescentes, nem de um pretexto para carregar o fígado de adrenalina. A seriedade da missão de nossos heróis não deve ser questionada ou equiparada a mero capricho.

Os jovens pulam o muro de um velho casebre semi-abandonado. Eis a missão.

- Anda, Madá! Até parece que esqueceu como se escala esse muro...

Madá tenta, tenta, mas tomba. Niko ri, mas ajuda a parceira a levantar-se. Ela olha assim, meio de canto, meio fugaz, tentando descobrir o que se passa naquela cabeça de vento. Às vezes, a Madá dava medo. Mas era só impressão: tinha uma doçura como poucas! Não era de falar muito, não; preferia observar e esquadrinhar o perfil psicológico de cada indivíduo. Já em pé, diz:

- A única coisa de que nunca me esqueço é o motivo que nos traz aqui. E você sabe que isso é a coisa mais importante do mundo pra mim.

Niko faz uma careta (ficou sem graça). Aquilo também era a vida dele. Penetra Madá profundamente com os olhos.

- Madá...

- Hum?...

- Éhh... você já... já contou pra "eles"?

(Madá levanta os olhos. Suspiro.)

- O quê? Da gente, Niko?

- Não acha que já tava na hora de contar? Poxa, cara, a gente não tá fazendo nada de errado; se as pessoas ao menos soubessem, a gente poderia conquistar um pingo de admiração alheia. Tô cansado de ser tachado como "o obtuso que nunca sai na sexta-feira"! Será que...

- Niko! - interrompe Madá, passiva, porém resoluta - Meu, você sabe, "eles" têm dificuldade de entender certos lances. Tá certo, às vezes até eu acho muito louco o que a gente tá fazendo. Mas será que, se a gente contar, as coisas continuarão fluindo como agora? Meus pais são tão cautelosos! Exatamente por me protegerem muito, poderiam me proibir de sair de casa em dias comuns! (pausa) ... Não, Niko. Eles não vão entender. A gente é tão novo, e já tá se arriscando desse jeito!

Niko abaixa a cabeça. Ele sabe que Madá tem razão, de certa forma. Mas será que o fato de serem tão jovens os impediria de tentar transformar esta realidade?

Enfim, calam-se e seguem em frente. Matalotagem na sacola: pão, frios, e um pouco de sopa e chá dentro de garrafas térmicas. Não havia tempo para ficarem discutindo.

Madá bate à porta. Logo, ela se abre.

- Boa noite, menina.



Não perca o próximo capítulo! Prometo que não irá demorar a acabar, hehe...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Lendas Urbanas (que deveriam ser verdade!) - Parte I


Ela estava ali, à espreita. 0h09min, horário exato do combinado. Ouviu o barulho de pedrinhas batendo na janela (tec-tec-tec). Era ele!

Friozinho na barriga, uma última olhadinha no espelho. É bom dar uma retocada no gloss. "Se meus pais descobrem...", pensa a jovem. Madá. Ruiva natural, de uns quinze, duns olhos cor de piscina, cabelos ondulados, com uma beleza exótica. Sabia o golpe fuminante e certeiro que tinha a sua habilidade única de combinar aquele vestidinho branco com um par de All Star. Ficava uma graça! Ganhava uns ares infantis, mistério de rabo de olho e um pinguinho de vergonha na cara.


Ninguém podia saber. Ninguém. O caso já durava seis meses. Uma paixão. Algo arrebatador e inacreditável.

Não que fosse, assim, errado o que ela fazia todos os sábados neste horário. Não gostava muito de sair sexta à noite; preferia ficar acordada no quarto, ouvindo seu Ipod, esperando a madrugada chegar. Era mais que o perigo: era algo ao qual ela não podia negar, não conseguia resistir! Demonstrar amor não tem preço.

Era mais forte que ela. Aquele ardor no peito, aquela vontade de gritar para o mundo ouvir o que as madrugadas de sábado traziam! Apesar do frio, do nevoeiro e do moletom velho de capuz, aquentava-se com aquela emoção dentro dela.
O tec-tec continua. "Já vai!", sussurra ela. Um moço a espera,com os braços esticados, para que ela pulasse da sacada. Já estavam acostumados àquilo; era um caso de tempos. Um caso de amor. Não um simples amor. Logo vocês entenderão. Pegou o chapéu e foi. Executado o salto, saíram os dois a rir e a correr pelas ruas da madrugada fria da floresta de aço. Mas não tinham tempo para brincadeira. Estavam em missão.



To be continued...


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Síndrome de Peter Pan


Jogaram de lado a minha boneca

Não vi mais o carrinho de algodão doce

Descobri que, no fim do arco-íris, não tem ouro coisa nenhuma

E que a vida é dura, e não é para os fracos.


Me contaram que eu tenho que crescer

E que, no mundo dos adultos, não tem espaço pra boneca

Que algodão doce engorda

Que ouro é o que move o tal Capitalismo

E que todo mundo amadurece um dia (todo mundo?).


Mas eu ainda prefiro sonhar

Que, no meu mundo, há lugar

Pros meus brinquedos, folguedos

Desejos e doces

Pras maçãs do amor

E pras Polly Pockets


E que, mesmo sendo grande demais

Pra brincar de boneca,

Comer algodão-doce,

Ou procurar ouro,

Eu ainda posso ser

pequenininha

Com o coração do tamanho dos meus sonhos

Sonhos feitos na padaria

Sonhos feitos na alma

Que arrepiam até a unha do pé!


Deitada no chão

Da sala de estar

Do quarto de brinquedos

Um mundo tão sério

Tão bravo e carrancudo

Que resolvi fazer cosquinha

E tudo acolorou-se de novo

Cor-de-criança-da-cara-melada

Rolando de gargalhada

Cresci, fiquei enorme

Sujei o meu uniforme

[tão sério de Senhora


E virei Peter Pan!

sábado, 8 de dezembro de 2007

Eu não me conformo...


Não me conformo com este mundo. Eu não me conformo.


Péssimos exemplos se tornando "lições de vida", atos indignos lutando para ter uma dignidade, sordidez de ações em alta, a moda da prostituição, do uso de drogas "legais", do ser-objeto hedonista, do chauvinismo raquítico, da ironia social.


Carpe Diem corrompido, libertino, ridículo. Inconsciência. Inconsequência. Egoísmo em busca de um prazer vazio, imoral, individualista. Não há amor, não se pensa mais no outro. Meu umbigo torna-se o centro de todos os universos. Não importa se a vida de outrem tem valor, não importam as vontades e necessidades do próximo (eu o quero bem longe; próximo? Só quando me convém!).


Impune. "A vida é minha, e eu faço o que quiser. E que se lasque! Conseqüências?! Por que você não cuida da sua vida? Eu quero é me acabar, e ninguém tem nada com isso". É o que se diz. Egoísmo, libertinagem, inconseqüência. Até quando?


Seres rastejantes. Feitos nauseantes. Bizarro. Hipócrita. A qualquer preço, a qualquer custo. Nem que seja o do sangue, o da honra, o da rebeldia sem causa. Ignóbeis. Ignorantes. Objetos, apenas, prontos para serem jogados, arremessados, pisoteados. Mas que diferença faz para eles? Eles só querem "causar", "chocar", "enojar", "invejar"...


Eles não precisam de paz nenhuma. Nem de felicidade. Eles só querem corrupção. E corrompem mascarando-a de dignidade, travestindo-a de modismo, de modernidade, de falsa liberdade. "Todo o mundo faz. Você nãoooo??? Você tem algum problema??? Mas hoje em dia é normal! Agora não tem mais jeito! Século 21! Os tempos mudaram!!"


Mudaram. Pioraram. E eu não me conformo. E nunca vou aceitar isso. Me julguem, desprezem, me tratem como estranha; eu não me importo. Eu não serei conivente. Eu não aceito. Eu não me conformo.


Pode parecer loucura. Mas a loucura de não resignar-se pode descamar olhos cegos, céticos e niilistas, que crêem que não há mais nada a fazer, a não ser "fazer parte da massa". Só que essa massa apodreceu, criou vermes, embolorou, e seus correligionários ainda se lambuzam nela.


Não, muito obrigada. Eu não aceito, nem me conformo com este mundo, e nada vai me fazer mudar de idéia. Sozinha não posso mudá-lo, mas posso fazê-lo pelas palavras dos meus lábios, e pelo fogo que arde em meu coração. Levanto os meus olhos para o Alto. Ele já vem, e fará Sua justiça valer acima de todas as coisas.


Não vou me vender.


Não vou me render.


Não, eu não me conformo com este mundo.


(Romanos 12:2)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Adeus.


Nota da editora: eu NÃO abandonei este blog! Só estou na correria por causa da temporada de vestibulares, mas agora estou de FÉRIAS, e voltarei a escrever com freqüência.


Sem mais,


Atenciosamente


"A jornalista"

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Okay, passada a encheção de lingüiça (rsrs), vou abordar um tema que todo fim de ano que se preze nos traz: despedidas.


Posso ter exagerado um pouco ao intitular este post de "Adeus", afinal, poderemos voltar a ver as pessoas das quais nos separamos. Ou não, o que me dá toda a razão de este título ser.


Acabei de concluir o Ensino Médio, e este foi um dos melhores anos da minha vida na escola. Fiz amigos, conheci pessoas legais, estudei pra caramba, pintei e bordei (no bom sentido!)... E isso realmente vai deixar saudades imeeeensas. Como no final de nossa festa de despedida hoje, no colégio. Choramos baldes, já que, ano que vem, vamos embora, estudar, fazer faculdade e, como disse um de meus colegas: "Agora é que a vida começa".


Ultrapassamos aquele velho portão pela última vez. A vida se inicia. Toma força, cria vida própria. Um nó me aperta a garganta; é impossível segurar as lágrimas. Impossível não lembrar dos risos malucos, das lutas que enfrentamos, das aulas de Química Orgânica ("é méééti, éééti, próóópi e buuuti" - dizia a professora), do frango frito da merenda escolar toda sexta-feira, dos meninos jogando truco no fundão, da Segunda Lei de Mendel, dos malas enchendo a paciência, dos filmes nas aulas vagas... Será mesmo que tudo passa?


Não é o último ano da vida, mas parece ser o último ano de um pedaço dela, que não morre, mas fica na lembrança eternamente. Quem é que não se lembra do colegial? Aquela "fase" pela qual passamos, identidade em formação, mudança de estilo, personalidade, bipolaridade, ânimo desanimado, loucura de vida... Os amigos, as festinhas, as gargalhadas, os celulares que tiram foto e os que não tiram... Tudo é parte do todo, encaixando-se num quebra-cabeça nostálgico, de um tempo que não volta mais, mas que marca a passagem para um novo tempo.


É, nesses momentos, eu acho que sofro da síndrome de Peter Pan.


* Foto: 3º A - minha sala! (eu sou a de trancinhas e gorro) - essa homenagem é pra vocês!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Infância.


Ainda me lembro das Barbies espalhadas pelo chão. Das brincadeiras inventadas nas ruas, dos tombos de bicicleta, da franjinha encaracolada que minha mãe teimava em me fazer usar. Da historinha do "Natal dos Serelepes" que ela lia pra mim antes de dormir. Do cheiro de bolo de chocolate se espalhando pela casa.


Eu, criança, a menorzinha da classe, amava alimentar as bonecas quando podíamos levar brinquedos à escola. Dividia minha merenda com elas. Minhas amigas. Minha infância.


Inventava brincadeiras, descalça, correndo pelo quintal, por todo espaço que me dessem. E todos aderiam. Inventei a brincadeira do "Cacto", a da "Nega maluca", e mais umas quinhentas outras que eu nem me lembro mais. Não gostava de pega-pega. Só sei que me divertia muito!


Roubava flores do jardim em frente à casa da vizinha. Subia em árvore. Nadava em rio. Fazia caretas pro espelho. Lia gibi da Magali. Assistia a Doug Funnie e TV Colosso, além de 50 vezes por semana ao filme da Bela e a Fera. Comia bolinho de chuva e saía correndo.


Mas daí... daí eu tive que crescer. Me lembro de como tudo era simples. Hoje, a vida traz o que antes não esperávamos: responsabilidades. Força-se a maturidade quando tudo ainda é tão verde...


Esquecemo-nos de que, algumas vezes, se agirmos como crianças e deixarmos de lado as preocupações e a velha mania de "o dever nos chama", as coisas se tornarão mais simples. Não que a maturidade e os deveres devam ser deturpados. Mas a infância nos remete à riqueza de alma, ao descanso, à pureza, e à essencialidade de ser como realmente somos: eternas crianças.

sábado, 10 de novembro de 2007

Tempo



"Ah... vida tão breve!"
"Compra-se tempo de sobra!"


Cadê tempo pra qualquer coisa? Cadê tempo pra parar, cadê tempo pra pensar? Cadê tempo pra respirar, cadê tempo pra dar um tempo?



TEMPO, TEMPO, TEMPO... EU NÃO TENHO TEMPO.



Quero tempo pra deitar com as pernas para o ar, fazer bola de chiclete, nas minhas coisas pensar(que não sejam análises literárias, nem fórmulas matemáticas, nem equações quadráticas enfáticas enfadonhas), tempo pra viver só de essência. Ser humano foi feito pra essência, e não pra correr atrás do vento, atrás do TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO... Sempre esse TEMPO!!!!



Tempo tac, tempo tic, tempo corre, tempo urge, tempo anda, tempo voa, tempo

esgotado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



E eu corro atrás dele...

... e ele só corre de miM

Volta aqui, seu malandro!

!vem me pegar entãO
E eu corro contra ele...
...esse menino fujãO

E eu tictactictactictaquear

E eu tictactictactictaquear

E eu tictactictactictaquear

E eu não sei mais ondeéqueissovaiparar

Sóvaipararsóvaiparardetiquetaquear


Ufa... cansei!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Eu e o vestibular (II)


Bem, eu estive fora por uns dias, em Acampamento evangélico, por isso não escrevi. Não posso deixar de dizer o quanto Jesus é maravilhoso, e o quanto Ele fala ao coração daquele que está disposto a ouvi-lo. Experimente você também da presença de Deus: é bom demais!!


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Cara... Você que é vestibulando como eu deve saber do que estou falando: FALTAM 20 DIAS PARA O EXAME DA FUVEST!! Oh, my God! O que fazer nessa hora? Meses a fio estudando, perdendo tardes de sábado debruçada sobre apostilas, fundindo os miolos com fórmulas físicas e regras de sintaxe, mitose, orgânica, geometria da molécula... E aí, surge a questão (quase) existencial: valerá a pena?!


O "passar" ou não no vestibular é algo muito relativo. Não adianta você ser o clone do Einstein se, na hora da prova, te dá um nervosismo lascado e você esquece tudo. E nem ficar bitolado, deixando de comer e dormir para estudar, ou enfiar na cabeça que sua vida depende desta prova. Não estou desmerecendo esforço de ninguém, já que eu também ralo pra caramba. Mas ah, gente... Convenhamos: esta prova não mede inteligência, ou capacidade, ou criatividade de ninguém. O vestibular apenas te dá "qualificações" a respeito da matéria que lhe é suposta ter sido adquirida ao longo do Ensino Médio. Fazer o quê, Brasil, né?! Daí, a gente dá uma olhadinha lá fora (Tio Sam, de novo) e vê que lá essa história de ingresso na Universidade é bem mais democrática, sem ter que enfrentar o "monstro vestibular". O que vale é o esforço feito durante toda a vida escolar. Isso, aqui no Brasil, iria cortar um punhado de desocupados e, pelo menos, botar o povo na linha.


Enquanto isso, bora nos preparar. Aliás, já é para estarmos preparados faz tempo! Nem adianta querer estudar tudo agora, meu filho, porque daí... é perda de tempo.


Faça sua parte. Não passou?! Fazer o quê... Aproveitemos as férias! O importante é fazermos nossa parte. E relaxar. Comer bolinho de chuva da vovó, dançar adoidado pelo quarto e torcer para que o melhor aconteça.


Isso aê. FUVEST vem aí. Eu quero passar. E você?

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Pequenas revoluções sem pé nem cabeça.



Emaranhando, prossigo

Desperdiçando revoluções

Falar, cantar, gesticular

são sentidos tão duplos...


A minha fala tá solta

Na tua língua brasuca

A minha música ainda toca

na tua rádio- relógio
paródia, melódica...



Meu melodrama acabou
Agora escrevo é romance

Uma rajada, nuance
de personalidade própria


A cantoria estala
nos ouvidos do velho
que está sentado na praça

do outro lado do mundo
do outro lado da história


E os meus gestos são loucos
Digressivos
de profundeza de alma

de um mimetismo fantástico
de absurdos contidos


Eu extravaso entre céus
Agora eu era quem eu queria

Agora o sonho de infância

Calçava pés grandes demais

[sonhos são tão reais...


Volatizarei-me.

Agora eu era vapor livre

Lacrimejante em contato

[com a superfície flamejante
com a anedota de fada
enfadada, fadada a viver enraizada

dentro de um livro]


[E a menina do computador já falou demais por hoje.]

sábado, 27 de outubro de 2007

Mãos.


Pare um minuto de ler este texto. Aliás, nem comece. Olhe primeiro para suas mãos. Analise-as. Cada ruguinha que for possível, cada centímetro de pele, cada mancha, cada linha...


Agora, pense no que suas mãos têm realizado. Não são apenas mãos: são suas atitudes que se projetam nelas, é uma história que está impressa em suas digitais. Mãos. Instrumentos de obras e pensamentos, que servem para abençoar e levantar caídos, mas que também podem destruir e ferir.


Mãos. Guias entre florestas de teclas alfanuméricas, socorro, alimentos ofertados, lágrimas e suores enxugados, mas também espadas levantadas, pedras atiradas, tapas e socos. Raios de pensamentos, canais de atitudes, ações, reflexões, coceiras, proteção. Mãos.


A alma se reflete nos atos manuais. O quê temos feito com nossas mãos? O que nossas mãos fazem de nós? Teremos orgulho de deixar nossas digitais carimbadas na História? O quê estas marcas lembrarão? Um passado desonroso ou uma promessa de futuro?


Lembre-se: a maior e mais importante marca foi deixada nas mãos daquele que dividiu a História: Cristo. Suas mãos marcaram uma humanidade inteira, que foi redimida através dos cravos em suas mãos.


E você, que tem o futuro em suas mãos? O quê fará dele?

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Meu outono

O outono é meu, e troco de folhas, e dou frutos, e mudo constantemente, mas sempre mantendo minha essência. Deixo o vento levar para longe a pilha de folhas secas da alma. Deixo chover, lavar, molhar, escorrer pelo corpo todo esse poema liquefeito além da meta e da física. As folhas dançam ao meu redor.

Espero a chuva cair nas minhas costas, no meu rosto, na minh'alma, amolecer, fertilizar, purificar... Ungir meu ser, uma promessa. Sonhos que estão por vir e que meus olhos nunca viram, nem ao meu coração chegaram. Coisas grandiosas demais para um só sentimento.

E eu sou toda emoções razoáveis, racionais, tropicais. Essas gotas de trópicos trôpegas travam tréguas atrevidas, atravessam trovas e trincas. Tra-tra-tra... Canta seu titilar nas janelas. Já dizia Alberto Caeiro: "Sei a verdade e sou feliz".

E festejo a chuva de outono como se mil primaveras explodissem, estourassem, simultâneas, semeando trovas. Canta o trovador. As canções são tão voláteis, e a música é muda. Eu me torno uma nova planta, mais fortalecida, mais vivida neste outono passageiro e serôdio.

O tempo passa; tudo gira tão devagar... Mas nada é efêmero no alvorecer de uma nova primavera. O inverno não existe; foi-se o tempo de semear, e os frutos continuam nascendo. Uma alma fecunda, nova, viva! E a vida renasce, como uma fênix. Já posso voar, como as aves de verão, através das estações da minha vida.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Pseudotexto sobre NADA.


Eu poderia dizer tantas coisas, sentir tantas coisas, pensar tantas coisas, fazer tantas coisas, e tantas outras coisas. Mas eis-me aqui. Escrevendo. E mãos à obra!


Eu poderia escrever sobre futebol, sobre notícias, sobre minha vida pessoal, sobre sentimentos, amizade, amor, coisas bonitas ou sobre a História do mundo. Mas não. Eu não escrevo sobre. Eu apenas escrevo e sinto. É a minha metalinguagem.


Poderia também falar sobre algo tão programado... Mas só consigo falar sobre o que me vem à cabeça: botões, flores, espelhos, jogos, manias e trecos, e mais qualquer coisa que, ah, sei lá. Mas as palavras acabam me dominando; sua fugacidade é incrível, e eu só tenho que me submeter a cada uma delas.


... e se eu escrevesse sobre NADA? Seria eu aceita? E se eu escrevesse um texto sem palavras, mas que trouxesse grandes reflexões da alma e da humanidade? E se... e se...









(...)












Creio que não foi possível. Tenho ainda que descobrir a fórmula ortográfico-semântico-morfológica de como escrever sem palavras. Escrevi tanto, tanto, tanto... um texto sobre o NADA. Tantas palavras, que se tornaram apenas intenções de ser textos.


sábado, 20 de outubro de 2007

Sem crédito.


- Aloam?

- Quem fala?

- Quem tá falando?

- Aff... Você tem três chances pra adivinhar.

- (func) É o Papa.

- Fala sério!

- Hum, tá, garanto que é cobrança. Ou meu nome tá indo pro SPC. Ou, sei lá, a fatura do cartão estourou...

- Puxa vida, um nome! Você não tá me reconhecendo, Debbynha?

- Ah, eu odeio que me chamem assim!! Ninguém me chamava assim desde o colegial!!

- Pois é, desde o colegial eu não falo com você. Achei o seu número assim, por acaso, num cantinho rabiscado da porcaria do meu caderninho de endereços antigos...

- Uai, você me conhece? (cospe o chiclete)

- Se te conheço? Hahahahahahahaaaaaaaaaaaaaaa... 'Cê acha que não?! Fia, sou eu! EU, lembra?!

- Ah, é você?!

- Sim, eu mesmo!

- VO-CÊÊÊÊ???!!

- Em carne, osso, e voz de barítono! Eu sabia que você se lembraria!

- (silêncio, outra fungada) ... E quem foi que disse que eu lembrei?!

- Ué, mas eu pensei...

- Pensou errado, palhaço!Olha aqui, eu estou muito bem, obrigada, juro que não sei com quem estou falando, e acho até que já perdi tempo demais gastando saliva com um anônimo desocupado recém-fugido do hospício!! Agora, se me dá licença...

- Ô, peraííí! Você precisa lembrar! Na época, eu usava uniforme da escola e jogava futebol no recreio...

- Nossa, que novidade! Nenhum dos meninos que eu conheci costumava fazer isso!! Geralmente, eles ficavam sentados conversando sobre vestidos e maquiagem... Acho que você é um prodígio!

- Engraçadinha! Mas eu costumava me destacar...

- Já sei: como o mais panaca, não é mesmo?!

- Ô, mulher brava! Você não era assim quando eu te conheci... Já o Vesguinho...

- O quê?! Você lembra do Vesguinho?!

- Há, lógico! Lembro também que você era paradona na dele...

- (ruborizando) N-n-não era, não! Lógico que não! Aliás, eu não te dei liberdade nenhuma pra falar assim comigo! E saiba que sou muito bem casada, seu... seu... desconhecido!

- Mas será o benedito que você ainda não se lembrou de mim?! Eu sentava atrás de você no segundo ano. Atrás de você, lembra?!

- Deixa eu ver... Atrás... hum... (longo silêncio) Peraí!!! Ei!!! Você não é o...

- Isso mesmo, o ... tu...tu...tu...tu..tu...


Moral da história: O crédito sempre acaba na hora errada!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Sem nexo.

Adormeci na velha grama, num chão de giz, no meio de uma nuvem. E senti como se meu corpo se desmaterializasse.

Os olhos estavam pesados, o sol morno me dava uma comichãozinha chata e gostosa. Adormeci sob o céu nublado.

Fui a um lugar sem fim nem começo. As coisas pareciam estar fora do lugar. Meus pés não tocavam o chão, molenga, mesmo estando neles. As mãos conseguiam tocar o céu. Parece espuma e é gelado, brrrr! E eu era gigante.

(mas será possível?!)

A rua era feita de grama, e a grama, de asfalto. As pedras eram de água, e a água era empedrada. E eu conversava sobre a vida com gaivotas listradas. Eu estava na Cidade dos Sonhos.

As minhas mãos. Tinha algo nelas que me intrigava, e eu não sabia explicar o que era, mas elas pareciam ter vida própria. Elas esculpiam as labaredas de fogo de um pequeno vulcão, onde eu pude aquecer um pouco meus pés cansados. Cansados de não tocar o chão.

Sensações. E a vida corria e escorria, cantava no regaço de uma cascata de areia cristalina. Eu escutava as margaridas cantando, e rebolava junto às árvores dançantes. Era estranho, mas como me diverti!

Chegava a hora de despertar. Senti comichões de novo. Uma vontade tão grande de rir, que comecei a chorar. Queria voltar àquela cidade mais vezes. Senti que meu corpo se materializara de novo.

É tudo tão engraçado. Tão engraçado. Tão engraçado.

Esfrego meus olhos. Pingos d'água me despertaram. A noite caía, e eu nem percebi. Já é hora de voltar para casa, para o mundo, para as velhas obrigações da Cidade de Concreto.


terça-feira, 16 de outubro de 2007

Soneto Estapafúrdio!


Entre ficar e partir

Há algo que ainda não se entende

Que é quando a gente

Cisma de decidir


Espalhou-se pela grama

E rolou um riso gostoso

Preguiçoso, caloroso

Escaldado, bacana


E eu, que decidia

Mais ainda me divertia

Entre o ir e o ficar


Decidi me arriscar:

Tentei fazer a dobradinha

E não saí do lugar!

domingo, 14 de outubro de 2007

Diferenças.


Por que será que somos tão complicados e, às vezes, não conseguimos sossegar o facho e engolir um sapo? Por que é tão difícil conviver com as diferenças? As pessoas que amamos nos dão tantas alegrias, nos fazem tão bem, mas, por muitas vezes, os atritos são inevitáveis. Afinal, são pessoas e personalidades completamente diferentes entre si, e, por mais que o sentimento que as une seja infinitamente maior, as brigas acabam acontecendo. Não por uma, duas vezes, mas por muitas. E não há nada de anormal nisso.


O problema é que, depois de uma briga, acabamos nos sentindo um lixo por dentro. As lágrimas rolam (ou não), a alma dói, a respiração parece tão difícil, o coração parece ter se estraçalhado. "O que foi que eu fiz?"


E tudo se torna tão deserto, tão triste, tudo parece nem ter mais cor, e você se sente a pior pessoa do mundo por isso. E você quer se desculpar, e anseia desesperadamente por resolver logo as coisas, e por não brigar mais com ninguém (como se isso fosse mais uma daquelas resoluções frustradas de Ano Novo).


Mas aí... aí vem a conversa. Aquela dura, em que você chora, fala um monte de verdades doídas e escuta o que não quer, mas que é mais do que necessária. E que, pelo menos, esclarece as coisas. É o momento crucial de qualquer relacionamento, seja com os pais, com os amigos, ou com o companheiro. Mas funciona.


Entretanto, por maior que seja o orgulho, o ressentimento ou o motivo da briga, há uma vida compartilhada. Há amor. E este nobre sentimento faz com que todas estas coisas sejam apenas detalhes presentes em qualquer relacionamento. Afinal, nem tudo são flores, um relacionamento não é uma utopia, e nem tudo é como a gente quer. As flores têm espinhos, e os jardins têm pedras e insetos. E isso não quer dizer que não há mais saída. Pelo contrário: o amor e o perdão são a saída. E o abraço reconciliador se torna inevitável. "Perdão!"


Um grande amigo me disse que é nas brigas que verdades são ditas. Afinal, não adianta passar a vida inteira comendo feijão com jabá só para não chatear Sicrano. Verdades precisam ser ditas, mas com muito cuidado, pois são como facas: podem servir tanto para cortar os defeitos de um relacionamento quanto para ferir.


Perdoe. E não desista. Que ama NUNCA desiste.

sábado, 13 de outubro de 2007

Absurdos...


Menina, quem és?

Sabes o que te importa?

Sabes o que é um coração?

Sabes alguma coisa da vida?


Pois eu sei

Que te importo bem

Que o coração me roubaste

Que a vida é uma grande aventura...

...uma grande lição

...e aprendê-la é difícil.


As flores ainda são as mesmas

Mas tu... mudaste tanto!

Os teus cabelos continuam bagunçados,

A tua eminência ainda me subordina...

Mas tu'alma tresmalhou-se, gris.


Um lilás de mancha nos olhos

Um mistério tão óbvio

E uma personalidade tão metabólica...

tão teórica... meteórica...


A neológica de tua feminilidade

Faz com que dias-e-noites se tornem intrigantes

incomuns

fluorescentes

incandescentes

decentes, flutuantes...


[um entreolhar entre as entrelinhas]


As cerejas continuam no pé

No Japão, meia-noite, meio-dia e meia...

As estrelas são filhas de Luas cósmicas

E os argonautas encontraram cinco velocinos

[de cada vez

era uma vez uma menina]



Feliz... Feliz para sempríssimo!


sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Ócio (ou como o chato pode ser divertido)


Mais um feriado sem ter o que fazer. Eis o mal do ser humano: a insatisfação. Anseia-se por uma folga e, quando ela chega, reclama-se do ócio por ela proporcionado. E aí o sujeito começa a rolar de um lado para o outro na cama, entrar freneticamente na Internet, ou dar longos e irritantes bocejos. Os amigos? Viajando. As atividades? Canceladas. As tarefas do cursinho? Já fiz todas. Então... o que sobra para fazer?


Isso mesmo: NADA!


Sonhei tanto com este momento, de poder descansar, de ter umas mini-férias só para mim, de jogar o dia inteiro fora me acabando de dormir... Mas quem disse que consigo?! Acostumei-me demais às ocupações seculares. Já dizia o rei Salomão: "é como correr atrás do vento". E, nos dias mais ociosos, onde não há vento nenhum para contar história, procuramos desesperadamente por um ventilador.


Afinal, como comprovar minha tese? Como o chato pode ser divertido?


A resposta é simples. O ócio deveria ser muito mais aproveitado por nós, não como mais um dia comum, ou mais uma oportunidade corriqueira de arrumar a papelada do escritório, ou estudar para o vestibular. Afinal, isso é o que fazemos todos os dias! Temos que considerar os feriados como "mini-férias" e aproveitar para morgar o quanto for possível, fazer uma viagem, ler um livro ou dançar sozinho no quarto. Nada pode ser tão chato e rotineiro quanto um dia comum.


Por isso, siga o "Carpe Diem" com toda a sua essência e APROVEITE O DIA!

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Quadro negro.




Rios não ruíram, nem pararam.



Permaneço exatamente onde estou.



Sei onde posso chegar, e não quero parar.



Os rios não param; eu também não.






Os espaços geográficos são pequenos demais para mim.



Em minha ínfima pequeneza...



Na minha própria natureza...



Inglesa do Brasil.






Janelas são espelhos, e corro pelos países



De maravilhas, espetáculos e artes mil...



Quem fui é reagente do que sou;



A minha química é indecifrável.






Ações reagem reflexivamente



Em movimento uniformemente variado.



Num circuito eletromagnético,



Acho que perdi a razão!






Se, em palavras, há coesão,



Refarei a oração



que não se subordina a nada;



Adversativa, adverbiada.






É no compasso do triângulo



Que executo a rotação,



logaritmando poemas



Invertendo a fração.






E, na escola da vida,



Acho que até perdi a conta



Do quanto se deve aprender...



Do quanto se deve ensinar...






Detenções não podem deter



Aquele que está por fazer



Um futuro grafitado,



esquadrinhado, aprovado, graduado!



quarta-feira, 10 de outubro de 2007

εϊз Borboleta εϊз




εϊз Ei, não tenhas medo. Ainda há um pouco de sol lá fora. Tu nunca saberás como são seus raios, se nunca saíres de onde tu estás. A vida é assim mesmo, as coisas acontecem não apenas contigo; elas podem dar certo, mas também podem se esvair pelo ralo... εϊз

εϊз Criança, não te apavores. As coisas não são fáceis. A vida é dura por fora, mas tem recheio de chocolate, se tu quiseres. A simplicidade das coisas pode ser encontrada na força que eu sei que tu tens. Não desistas de ti mesma! εϊз

εϊз Aprendiz, não te desesperes. Ainda não és borboleta; és larva, mas teu desenvolvimento se completará em tuas provas. A resistência e o movimento de que tu precisas está em teus ombros e em teu coração. Tu bem sabes que podes alçar vôos incríveis com a leveza de tuas asas. εϊз

εϊз Homem, não queiras abraçar o mundo sozinho, e nem carregá-lo sobre teus ombros. Não daria certo. És um só, e és humano. Entretanto, podemos abraçá-lo por inteiro se o fizermos juntos, dando-nos as mãos, entrelaçando nossos braços, e com um olhar firme, que mostre nosso caráter de alma. εϊз

εϊз Levanta-te! Sai deste casulo! Cria coragem, e vê que a vida não é um empreendimento impossível. Embora não haja potes de ouro em fins de arcos-íris, nem tudo está perdido. Tu ainda podes vencer. Há uma medalha no teu peito, que te foi predestinada quando nasceste. Precisas crer nisto! εϊз

εϊз E, se ainda assim, as lágrimas molharem o teu rosto, estiveres sozinho, e te faltarem a força e a coragem, não tenhas medo. Deus está sempre do teu lado. Basta que te achegues até Ele; Ele te suportará, te aconselhará e te cobrirá com suas asas, e tu poderás descansar tranqüilo, planando, e esperando pelo amanhecer de uma nova primavera. εϊз



"É preciso que eu suporte duas ou três larvas, se quiser conhecer as borboletas."- Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

$


Descobri uma coisa sobre o meu modo de escrever e de ver as coisas: este não é daqueles blogs em que eu conto tudo o que acontece comigo, ou o que eu fiz no decorrer do dia. É um blog no qual eu exponho IDÉIAS. Apenas idéias, e uma filosofia maluca da rebimboca da parafuseta. Mas que me faz pensar mais ainda sobre minha metalinguagem.


Um abrir de olhos, um capital. Cifras não produzem música em mundos cor-de-rosa. O verde não é da bela mata virgem. É o verde da grana. O verde da desgrama. O verde desmatador, matador, atador. Atou as mãos dos que podiam fazer algo útil à humanidade. E a Terra está fadada a se tornar uma bola incandescente, ou uma frigideira ambulante.


But time is money, oh, yeah. O show biz precisa de mais atores com vidas de plástico para garantir as aparências e a política (ou será politicagem?) do "Panis et Circus" come solta. O que importa é encher barriga de pobre com sobra de burguês, para que estes últimos continuem sentados em pilhas de ouro e usando dólares como papel higiênico. "É para quem pode, e não para quem quer", dizem os velhos capitalistas mimados e rabugentos.


Não estou dizendo que sou totalmente marxista. Mas Marx teve ao menos um pouco de sensatez ao propor a igualdade de classes e tomar as dores proletárias. Infelizmente, aconteceu como se apenas a vertente socialista utópica existisse, coisa que seria impossível e financeiramente insustentável numa era capitalista e competitiva. "Quem pode mais, chora menos" é o lema do velho Patinhas, com sua predestinação calvinista para se dar bem a qualquer preço. Preço de dólar, petróleo e, quem sabe, umas gotinhas de sangue. Ele não sairia prejudicado mesmo... Pagar propina, também, não é problema. TODO O MUNDO FAZ.


Cifras não produzem música em mundos cor-de-rosa. Produzem vertigens capitalistas em um mundo cinza, sem quase árvore para contar história. Que história, mesmo? Ih, prefiro nem lembrar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Você sabe o que é o amor?



As noites eram frias, e os dias eram longos. A vida não tinha graça nenhuma. A piada era contada, e ninguém ria de nada. As palavras não faziam sentido, a música era muda. As mudanças não faziam diferença alguma. O céu estava sempre nublado.

Assim é a vida sem o amor. Sem o tempero, sem a lágrima que dá sabor à vida. Sem o sorrir, sem o alvorecer, sem o verdejar do meu jardim secreto. E nada acontece de novo, e os dias são apenas vinte-e-quatro horas arrastadas, sacrificadas, dilaceradas. Mas o amor?

O que é isso? Você sabe o que é o amor ou, até agora, só experimentou a falsidade e o sofrimento de paixões passageiras, fugazes, vorazes, que arrasam corações, deixando-os em um êxtase cego, para, depois, criar uma cratera dolorida?
O amor é o que falta no coração de todo o mundo inteiro. O amor é o que falta no giz-de-cera que pinta esse planeta. Não se resume ao inigualável soneto de Camões, nem a frasezinhas que garotinhas de doze anos escrevem em seus caderninhos. Não. O amor é mais. O amor é indescritível, indestrutível, imprescindível.

Não é fácil falar sobre ele, pois só sentindo para saber. É um sentimento verdadeiro, inconfundível, nunca sentido antes; arrebatador, mas terno; forte, mas sem usar a força.

O valor de um amor está em sua conquista diária, em sua ternura, em sacrifícios também. Deixar o egoísmo de lado, deixar defeitos, orgulho, ignorância, preconceito, paradoxos, dogmas, sofismas, o lixo interior, ter muita paciência, para, então, poder afirmar, com toda a certeza, que amamos. Afinal, o amor não está do lado de fora. É algo muito mais profundo.

Pobres os que limitam o amor a beijos e abraços. Mal sabem que o amor é algo muito mais valioso; um sentimento que faz com que possamos abrir os braços e despejar de um penhasco todos os nossos desejos egoístas e insinceros; que faz com que ajudemos as pessoas que amamos, independentemente se isto não nos trouxer nenhuma "conveniência" ou recompensa; que faz com que nos interessemos de verdade pelas pessoas, não importa o que aconteça.

O amor faz com que alguém seja capaz de se entregar totalmente por uma outra, mesmo que essa não corresponda. É o amor "Ágape": incondicional, consciente, que não depende de reciprocidade. "Amo porque amo". Simples assim.

Conheço alguém que tem o amor maior do mundo, que transcende todas as barreiras, puro, que dissolve toda sorte de iniqüidades que já tenhamos cometido. Esse amor é o de CRISTO. Como pode alguém que eu nunca "vi" com os olhos naturais dar a sua vida desta maneira, numa cruz, coração dilacerado, carne trespassada, entregue totalmente por amor? Preço de sangue. Por nós, que não temos o mesmo amor que Ele foi capaz de mostrar. Nós. Nós, que não valemos nada por nossas atitudes erradas. Nós, que carecemos de amor e misericórdia, coisas que muitas vezes não somos capazes de demonstrar uns aos outros.
Amor. Tão singelo, tão simples, tão-somente amor. Amo porque amo, e ponto final.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Me dá o meu presente?!



Às vezes, eu paro e penso (derr lógico, sou um ser humano; penso, logo existo!). Penso na vida, no futuro, nos bons momentos passados... Mas tão pouco no presente! Este tempo exato em que vivo, esta bolha de ar que respiro, este cacho tapando meu olho que eu, cuidadosamente, ponho de volta atrás da orelha... PRESENTE! Um prêmio que eu ganho neste exato momento, e que eu muitas vezes deixo de lado.

Ah, como é bom, como é bom lembrar do passado e do futuro, que nem veio ainda, mas que a gente já tem montadinho feito quebra-cabeça na nossa mente: um diploma, um casamento, filhos, livros a ler ao longo da vida, coisas para fazer antes que ela acabe. É assim que, muitas vezes, nós vivemos. Planejando, ou repensando: saudades da pessoa amada, dos amigos, daquele acampamento legal, lembra?, da lasanha de domingo... Mas e o presente? Será que ele só é saboroso quando se torna passado?

Será que, um dia, sentirei falta desse pentiunzinho, dessa salinha, da minha casinha, 22:11 da noite, atualizando meu blog para meus queridos leitores mudos, que desconhecem como postar um blog? (brincadeirinha... rsrs) Ficará este momento para sempre encravado em minha memória, para que, um dia, eu diga: "Valeu a pena!"?
Sim, eu quero me orgulhar do meu presente, não apenas quando ele se tornar passado, mas quando ele estiver aqui, agora, comigo! Para que fazer tantos planos se a vida corre, e a maior parte do presente está sendo gasta nisso? Não que isso seja algo descartável, mas a vida voa, o tempo urge e a fila anda, bolas!

Então... Quer um conselho? Quer? Quer mesmo, mesmo, mesmo, muitississíssimo??


VIVA INTENSAMENTE O PRESENTE!




domingo, 30 de setembro de 2007

Sorriaaaaaaaaaaa! =)


Sorrir... mesmo quando não se está sendo filmado, é tão bom! Tão melhor que uma cara feia de limão azedo, que qualquer coisa que já te deixa maio assim-assim, carrancudo. Por que você não pára com isso e dá logo um sorriso de uma vez? Se o seu dia está meio nublado, ou se a coisa "tá preta" para o seu lado, esqueça isso só por um segundinho, que o mundo não vai acabar por isso, e dê logo um sorriso.


Alegre, risonho, banguela, de canto... seja qual for o seu sorriso, é bem melhor do que ficar batendo a cabeça na parede, ou com essa cara de foto-antiga-no-armário-pra-espantar-barata. Não se canse de sorrir. Se as bochechas já estiverem doendo, sorria com os olhos. E, se for para chorar, CHORE DE DAR RISADA!


A vida é tão simples e boa. O sorriso também é. Então... DESCOMPLICA, ou, como diz a Liliane Prata, DESNEURE-SE! E ria, sorria, mesmo que você não receba um sorriso de volta. Nada melhor para quebrar uma pessoa do que um sorriso. Então, por que não tenta? =)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Saudade...


"Ah, que saudade que tenho...", dizia o poeta Casimiro de Abreu. E diz Louise Mira também.

As pessoas que amamos fazem tanta falta quando não estão ao nosso lado, que a saudade faz com que elas se tornem ainda mais especiais. Pessoas que ficam na lembrança das tardes divertidas, dos risos e dos olhares, e das ruas atravessadas, e da cidade iluminada, e da lua cheia, e de olhar estrelas...


Apesar de dolorida, a saudade traz boas lembranças. E as lembranças se tornam parte dos pensamentos. E tudo o que fazemos e vemos nos fazem lembrar dos queridos do nosso coração, que estão loooooooonge, e que nem sempre a gente vê, mas que fazem com que os momentos juntos se tornem inesquecíveis, por mais breves que sejam.


Saudade de estar junto, de sentir o som e a suavidade dos perfumes e dos dias, de desmanchar uma nesga de tristeza e esculpir num sorriso a alegria! De falar sobre os espaços, sobre os tempos, sobre filosofias próprias, sobre tudo, absolutamente.


Apesar do encurtamento "globalizado" das distâncias, a distância física e geográfica continua sendo a maior vilã causadora da saudade. Mas há sempre, sempre o consolo: consolo este que diz que, um dia, naquele tão sonhado dia de glória, a saudade não mais existirá, e as pessoas ficarão unidas pelo forte laço que já as une: o amor. E, contra o amor, não há barreira existente no universo que possa fazer com que a saudade seja algo invencível. Porque mais que vencedor é o amor. Enquanto isso, vamos sentindo saudades, mas não com lágrimas, e sim, com sorrisos, que nos fazem lembrar dos nossos queridos que estão distantes, porém, guardados a sete chaves dentro dos corações.


E tudo se faz tão lindo quando, no tão esperado momento, você avista, ao longe, a pessoa de quem você tanto sentiu falta, abre os braços para ela, e diz: "Ah, que saudaaaaaade!!!"


"A saudade é a presença dos ausentes." - Machado de Assis

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

"Xeque-mate" não é "Game Over"


Eu, sozinha, num chão xadrez feito de ladrilhos sonhados.

A velha saia azul, as meias 3/4 xadrez, os cabelos espiralados de sempre, e nada para dizer. E continuo ali. E resolvo fazer sei-que-lá da vida.

Apesar dessa ceninha um tanto "emo", eu me levanto e resolvo dançar, como costumo fazer em dias de ataques de loucura. Ainda que a música pare, eu não consigo parar. Eletricidade estática.

Meus olhos, como li num livro hoje e achei um tanto interessante, agora dou-lhes um novo adjetivo: eletromagnéticos! Talvez pela facilidade de propagar ondas de pensamentos meus; não precisa nem meia palavra: é só olhar beeeeeeeeeeeeeem fundo, beeeeeeeeeeem fundo, e vai entender o que eu quero dizer.

Não há regras de quartel para jogos divertidos. Os cenários e tabuleiros mudam o tempo todo. Será que eu sou a rainha, ou não passo de um tímido peão?


Xeque-mate. Venci?



Xeque-mate não é Game Over. Não para mim.



Você me disse de novo tudo aquilo que eu precisava. E eu ainda rio, e rio, e rio com minhas razões de ser. Um risinho característico, mas que é só meu, e não me importo que tirem sarro.
O próximo passo ainda hei de calcular. Enxadrista? Simplesmente, jogadora. E o jogo continua, e é cruel com os principiantes. E eu continuo calculando.


Erros são fatais, consertos naturais, rotina nunca mais, eu quero muito mais.

Lutar, conseguir. Não, não dá para desistir.




Desistir, eu? Há, vai sonhando!




Xeque-mate!