
Por que você não pára de voar na minha cabeça? O que você pensa que eu sou, um aeroporto de idéias ululantes? E esses vocábulos estranhos, complexos, amplexos consonantais, ósculos vocálicos escandalosos bem no meio da oração? Pomba! Assim fica difícil não pensar...
Por que tenta me perseguir com seus ardis? Por que essa tentativa de me fazer gargalhar, me cutucando com esse ponto-e-vírgula pontudo? Como você é efusiva! Dá pra parar de gritar desse jeito na minha cabeça: "escreve um poema, redige um soneto, elabora uma dissertação, canta uma canção"?
Catacreses cacofônicas cacoéticas, ca-co-quê?!
Não. Definitivamente, você é maluca. Quantas coloquialidades! E pára pelamordedeus de ficar atiçando!! Eu já falei que agora não tô a fim de escrever!! E nem adianta ficar chorando baldes de advérbios de estado critico. Eu sou dura na queda.
Ah, mas você é insistente mesmo, não é?
Promete que, se eu escrever UMA linha, só uminha, você pára de encher? Promete mesmo? Ah, quando você faz essa conjunçãozinha, eu fico um período inteiro apaixonada... Você sabe mesmo como me subordinar às suas circunstancias de tempo e espaço, com esse seu modo todo imperativo de ser... Mas só faço isso porque você tem muitos adjetivos e predicados...
Tá, dá ai o lápis.





