terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vontade louca de gritar.

Grito.
Que me sufoca preso na
Garganta.
Que me asfixia e não me
Espanta.
Como algo preso numa
Armadilha.
Como indigente morto na
Guerrilha.
Fechar a boca,
Engolir o sangue.
Prender a lágrima
Presa no peito.
E padecer ante o mal
Que foi feito.
E as têmporas tapar
Com um sussuro.
O aperto que me resta
Sobe ao peito.
Do peito, donde vem
Me desce à alma.
Como eu queria
um pouco mais
de calma!
Como eu queria
Arranjar um jeito!
Já não consigo sufocar
O grito.
O grito que me amarra
A garganta.
Se me taparem a boca,
Pego o apito.
Se me matarem,
Minh'alma se acalanta.
Da flor que morre
Nasceu um suspiro.
Do anjo torto
Veio a redenção.
Tirada a venda,
Espare a escuridão.
À multidão um
grito eu atiro!

O
...O
O
...O
......O
.........O
......O
...O

Liberdade, liberdade!

[Continuo na correria. E isso me fez querer gritar um pouco hoje! Em breve, termino o folhetim.]

domingo, 28 de setembro de 2008

Este blog terá uma semana corrida!

Bom, é como eu disse no meu outro blog, essa semana vai estar osso! Vou ter palestras, minicursos e afins todo dia, o dia todo, por causa da Semana do Tradutor que vai ter lá na facul. Portanto, I'm so sorry, mas não é garantia de que atualizarei o Rosas diretão, e a história do Gabi e da Angel talvez tenha que ter seu suspense prolongado... =(

Que bom que vocês são leitores compreensivos! É por isso que eu adoro vocês! ^^

Voltarei em breve!

Beijosmeliga,

Luly

Jeans e um par de asas (III)

Tá perdido, né? Veja o que aconteceu antes, nas partes (I) e (II)!

Passos na escadaria. Ela ouviu, mas permaneceu inerte. Não sentia vontade de se mover; estava hipnotizada pelo grande cottage cheese, aquela lua enorme e nova, aquele sorriso que rasgava os céus de alto a baixo. Os seus olhos, como dois planetas azuis, haviam entrado em órbita com aquele satélite, onde estrelas e garoa eram cenário de uma galáxia infindável. E ela apenas respirava, e sentia aqueles passos baterem junto com seu coração. E esperava, esperava pelo que tivesse de acontecer. Sem temer, só aquela paz enorme por dentro.

Sim. Era Gabriel. Ele não entendeu como alguém havia descoberto o seu esconderijo naquele lugar abandonado. Talvez tivesse deixado a porta aberta. O que ele estava vendo? Uma menina? Uma menina com um pirulito, e cachos negros, e as listras do arco-íris em suas vestes? Angélica. Angélica. Pensou em virar as costas e ir embora, mas seus pés o prendiam ali. E os olhos se encontraram.

E ficaram ali, em órbita, em inércia astronômica naquela Andrômeda urbana e cinza. O que aconteceria? O que deveriam fazer? Deveriam se aproximar?

Não sei como, Angélica também não sabia, mas ele criou forças sobre-humanas para se aproximar, até que um estivesse diante do outro, olhos alinhados, apesar de Gabriel ser muito mais alto que ela. E assim ficaram, com interrogações nos olhos e nos lábios.

E agora, Gabriel?

to be continued

[ouvindo Only hope e It's gonna be love - Mandy Moore]

Acha que já sabe o que vai acontecer? Espera pra ver...

sábado, 27 de setembro de 2008

Jeans e um par de asas (II)

Não se perca! Voe para a parte (I)!

Do outro lado da avenida, do outro lado da cidade, uma menina. 16, cachos negros, branca-quase-pálida, grandes olhos azuis. Melancolia. O queixo vinha pousar-lhe no peito. Apesar disso, era bela. Os cachos, presos por uma faixa que parecia um arco-íris, deixavam seu rosto livre. Usava também meias compridas e muito coloridas. Tinha cor a sua tristeza. Chegava a ter alegria, não sei como é possível uma coisa dessas. Era a pureza em pessoa. Uma pureza triste e sem razão. Sentada na escada de entrada de um velho prédio, o mesmo que Gabriel gostava de freqüentar naquelas noites em que queria fugir do mundo (quase todas), lá estava ela. Angélica dos Santos. Seria este mais um nome um tanto sugestivo? Seria este nome a chave de toda uma intriga, que fazia questão de voar por entre meus dedos?

Um baque. Ou apenas seu coração a tamborilar mais forte, sem razão (será?), sem nada que se fizesse entender. Lua nova, um sorriso nos ares. Foi impelida porta adentro, talvez pela vontade de voar, talvez por qualquer presságio dos céus, talvez por suas asas, uma comichão desesperada por entender que raios estava ela fazendo nesta Terra.

Subiu as escadas, quase voando. Quieta, grave, grave, surda, muda, lenta, lutulenta. Ganhou o terraço, e, com ele, um sorriso enorme de lua feita de cottage cheese, geléia e neve. Garoinha chata. O que aqueles sinais queriam dizer? Já não sei.

Ficou ali, a matutar, a esperar que alguma coisa acontecesse. A esperar alguma estrela cair do céu e vir pousar em seus cachos, a esperar por uma pena encantada advinda do Norte, que fizesse crescer asas. Uma razão, um abraço, um amigo que fosse. Era tão pequena e frágil, tão fosca em suas mil listras e rubores.

E esperava. Só esperava. Que alguma coisa estava para acontecer, ah, isso estava. A única coisa que ela sabia era que tinha que esperar. Tirou do bolso um pirulito, permaneceu, fitando o seu cottage cheese com aqueles enormes olhos azuis, que mais pareciam planetas em órbita.

É, aconteceu mesmo.

to be continued

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Jeans e um par de asas

Gabriel dos Anjos. Nome que o definia por si só. Era, realmente, um anjo de jeans. Cabelos louros, cacheados, olhos cor de mel. Gostava de usar camisetas com estampas de asas e um crucifixo. Parecia que ele se assumia como anjo. Mas era parte de sua personalidade, ao mesmo tempo tão fugaz, selvagem e indomável. Gostava de andar sozinho pelas ruas e noites, e ver as manhãs nascerem, sozinhas, num lapso de aurora cor de sangue. Gabriel gostava da paz, do silêncio e do mistério. Usava uns óculos escuros, estilo "John Lennon", uma coisa meio hippie. Era do tipo de cara que faz você bater o olho nele e dizer: "com esse aí, eu caso!". Costumava, em suas noites solitárias e intermináveis, dançar no solar de um velho prédio, enquanto namorava a lua e as estrelas. Às vezes, desenhava uns retratos de moça. Era só uma moça, quase uma menina. Ele não a conhecia, mas queria conhecê-la. Quem sabe fosse ela a sua libertação, o seu impulso para rasgar os céus daquela cidade tão fria.

Gabriel não tinha amigos. Não por que não quisesse. Ele simplesmente não conseguia se relacionar com as pessoas, como se, realmente, não pertencesse a este plano terreno. Era sozinho, vinte anos, uma casa geminada num beco no centro da cidade. Ele torcia, torcia para que alguém viesse tirá-lo daquele buraco em que ele vivia. Não a casa, a própria vida dele. Apesar disso, ele sorria. Sempre sorria, um sorriso suave que ornava seu rosto de anjo. Era um Armagedom ferido, de asas partidas e punhos cerrados, precisando de impulso para alçar vôo.

Meia-noite. Atravessou a rua.

to be continued

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Green

Ele é tão lindo. Ele me faz sonhar. O jeito, o sorriso, tudo. Tudo nele foi feito pelo Autor, tão-somente pra mim. O modo como ele encara e colore a vida, a sua personalidade fora do comum, as surpresas. Mas uma coisa serve como embalagem para todas essas lindas qualidades. Ela me surpreende por ser tão incrivelmente bela. São os olhos dele. São os lindos, arrebatadores, indescritíveis olhos verdes. Verde, que te quero verde. Eu nunca vi olhos como aqueles, e nunca poderia descrevê-los completamente. São os olhos que eu gostaria de encontrar em mais gente deste mundo. São os olhos que eu quero que estampem o rosto de meus filhos um dia. A verdade do verde dos olhos dele se torna necessária em cada passo que eu der, em cada coisa que eu disser, em cada gesto e olhar. Aqueles olhos têm folhas verdes, grama, arco-íris, céu e mar, torrões de açúcar, hortelã, estrelas e ouro. E eles me fazem cócegas, e me trazem lágrimas, e me fazem vermelha como maçãs. Eu já não posso explicar o que tem naqueles olhos que me deixa assim. Encantada. Amor. Mas o amor não se explica. E eu já não explico mais nada. Deixo que os olhos dele falem por mim.

[namorado, amovc]

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Fer

Galere (muito twitter isso, né? haha), olha só, o meu penúltimo post saiu no site da Capricho!



Cara, cada vez mais eu gosto de escrever pra Capricho. Parece que eu me sinto mais valorizada como blogueira! Inclusive as visitas ao blog aumentaram bastante desde que eu comecei a escrever pra minha querida revista de adolescência. E, nossa, eu quero tanto poder ficar também em 2009 no Tudo de Blog (querida chefinha Natália Duprat, por favor?)! Torçam pelo bloguinho, amados!



Tá, já falei demais. Esqueci que este blog não é meu, é das Rosas Inglesas que moram dentro de mim. Portanto, cala-te boca!



O post que se segue é um dos que vai dar origem a um blog que eu fiz com dois amigos da faculdade. Vou mandar uma palhinha pra vocês. Se quiserem ver a continuação no blog Roses and Gentlemen, clique aqui!



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Ferdinando Soares de Arruda.



O Fer era um cara tão sossegado! 19 anos, mochileiro, faculdade de arquitetura, meio largado até. Cabeludo, do tipo "o terror das menininhas", barba por fazer, camisa de flanela xadrez amarrada na cintura, camiseta de banda, tênis encardidos. Chegava a ser bobo. Mas aquela cara de bobo dava a ele um charme meio enigmático.



É, o Fer era bonito. Mas ele parecia que não sabia muito disso, não. Ele não tava muito aí com a cor da china. Tudo o que queria era sair pelo mundo de mochila nas costas. Ao contrário dos outros caras, não tava preocupado em correr atrás de mulher. Era romântico, muito romântico, ao extremo. Mas ele nunca deixou ninguém perceber essa faceta de sua personalidade. Ele não falava muito. Era misterioso, e, ao mesmo tempo, sossegado, brincalhão e vivaz.



Tava ali, tapete da sala, tocando violão de boa. Fim de dia, fim de semana. Ele não dava a mínima pra ficar em casa num sábado à noite. Na verdade, ele só tava esperando seus dois amigos chegarem, sozinho em sua quitinete.



Finalmente, alguém mexeu na porta. Vamos ver quem era.