
Gostava de brincar sozinha na casinha azul. Fazia mundos de saia-rodada, cabelos-cachinhos, a flor no cabelo, o batom. Brincar de ser mulher, nos saltos de sua mãe. Só não gostava muito de rosa. O azul lhe parecia muito mais atraente, interessante, misterioso e doce. Algo um pouco menos óbvio.
Queria ser bailarina, princesa e veterinária. Uma menina típica. Se bem que, às vezes, punha-se a pensar que, se fosse astronauta, talvez conquistasse algo mais do que o mundo. E tinha o pianinho de madeira, suas sinfonias desafinadas, a plateia de bonecas, atônitas, estáticas. Talvez sorrissem por dentro. Ninguém entende as bonecas. Ninguém sabe o que elas aprontam quando não se está perto. Ou o que pensam das meninas.
Gostava dos livros. Mais das palavras do que das gravuras, sempre. Tinha mais do que apenas cinco anos de idade: era esperta e madura, mas não menos criança por isso. Gostava de contradizer-se o tempo todo, apesar de sua personalidade forte. Teimosa que só. Queria as unhas vermelhas da mãe, queria o pai. Gostava de espelhos, dançava sem saber. Suja de bolo, agora descalça. Lambendo os dedos, estudando o desenho que a borboleta fazia no ar.
"A borboleta é azul".
E tanto filosofou, rostinho sério, olhos graves, cuidadosos, que descobriu que feliz era a borboleta. Podia ser o que quisesse: fada, princesa, bailarina, astronauta, pétala de flor. Podia ter cor de céu. Ter cor de azul. Desaparecer no ar, num vôo de brisa, silenciosamente.
E decidiu que, quando crescesse, queria era ser borboleta.
Queria ser bailarina, princesa e veterinária. Uma menina típica. Se bem que, às vezes, punha-se a pensar que, se fosse astronauta, talvez conquistasse algo mais do que o mundo. E tinha o pianinho de madeira, suas sinfonias desafinadas, a plateia de bonecas, atônitas, estáticas. Talvez sorrissem por dentro. Ninguém entende as bonecas. Ninguém sabe o que elas aprontam quando não se está perto. Ou o que pensam das meninas.
Gostava dos livros. Mais das palavras do que das gravuras, sempre. Tinha mais do que apenas cinco anos de idade: era esperta e madura, mas não menos criança por isso. Gostava de contradizer-se o tempo todo, apesar de sua personalidade forte. Teimosa que só. Queria as unhas vermelhas da mãe, queria o pai. Gostava de espelhos, dançava sem saber. Suja de bolo, agora descalça. Lambendo os dedos, estudando o desenho que a borboleta fazia no ar.
"A borboleta é azul".
E tanto filosofou, rostinho sério, olhos graves, cuidadosos, que descobriu que feliz era a borboleta. Podia ser o que quisesse: fada, princesa, bailarina, astronauta, pétala de flor. Podia ter cor de céu. Ter cor de azul. Desaparecer no ar, num vôo de brisa, silenciosamente.
E decidiu que, quando crescesse, queria era ser borboleta.





