
Nos meus tempos de bixete (com coisa que faz moooito tempo!), eu não participei do trote oficial, não por achar um absurdo - eu só quis aproveitar o que ainda me restava da minha vida velha. Mas recebi trote na matrícula, e achei o máximo ser pintada e fotografada pela mamãe coruja! E vou falar uma coisa: não saí mutilada, nem humilhada desse ritual. Pelo contrário: me senti mais parte da universidade, e parte da brincadeira de ser bixete. Aquela era a minha festa, e a tinta era o meu traje de gala! Foi uma vitória enorme pra mim, pois mostrava que, depois de meses estudando a fio e de um janeiro interminável, eu merecia viver meu sonho como manda o figurino! Mas jamais concordaria com humilhações, bebedeiras forçadas e qualquer tipo de agressão. Cabe aos veteranos o bom senso de RECEBER os bixos, e não de massacrá-los, e também aos bixos saber impôr seus limites. E não adianta as universidades continuarem se fazendo de cegas, como se o trote não existisse só porque há uma legislação que o proíbe. Isso é hipocrisia. A responsabilidade maior é dos alunos, que devem lembrar daquela velha lição de "respeito ao próximo". Mas, pelo direito de sermos bixos uma só vez na vida: um pouquinho de tinta não faz mal a ninguém!

