terça-feira, 12 de maio de 2009

O problema não é o sexo...

Não estou fazendo generalizações ou extremismos neste post.

Para o Tudo de Blog

Dizem que vivemos o auge da Revolução Sexual - ninguém é de ninguém, cada um é cada um e o que importa é ter prazer, não importa como. Entretanto, só de ouvirem a palavra "sexo", muita gente muda de cor - por isso, preferem chamá-lo por "apelidos": "aquilo", "...", "coisinhas". As pessoas fazem, mas tem vergonha de falar - quem fala é depravada, mas também, quem não fala é encalhada. Portanto, o que na verdade vivemos é um retrocesso disfarçado de revolução. A liberação tornou-se uma forma de repressão, e isso é uma tremenda de uma hipocrisia. Porque o problema não é fazer sexo, e sim o que as pessoas fizeram com ele! Não é falar de sexo, e sim o que ele passou a significar para as pessoas - uma mera necessidade fisiológica e social. Não se fala de sexo porque "é feio", mas da "feiúra" toda em questão ninguém tem vergonha: do prazer egoísta e da falta de compromisso. Virgindade, então, virou uma espécie de "maldição", que deve ser quebrada o quanto antes, e sexo depois do casamento é a maior caretice. Pois quero dizer que, ao contrário do que muitos pensam, mantê-la até o casamento não tem nada de imposto - afinal, vivemos em uma sociedade livre, e não há lei no mundo que domine o corpo de uma pessoa. Isso é escolha, e é também uma forma de valorizar ainda mais o sexo - algo único, lindo e especial, muito mais do que apenas diversão e necessidade física. O sexo perdeu sua essência, por isso tornou-se um assunto tão constrangedor. O que as pessoas precisam não é olhar com reprovação para a palavra "sexo", mas fazer com que o sexo volte a ter algum sentido. Não tenho vergonha de falar de sexo. Tenho vergonha é do que ele se tornou.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O caminho que a lágrima faz

Quem pode saber
o caminho que a lágrima faz
nos olhos do recém
nascido?

Ou a lágrima é
mais que leite e fome,
mais que mãe e seio
e solução?

Quem pode trilhar
o caminho que a lágrima faz
no rosto do menino
triste?

Ou a lágrima é
mais que sal e água,
mais que dor e mágoa
e soluço?

Quem pode cruzar
o caminho que a lágrima faz
nos lábios do rapaz
ferido?

Ou a lágrima é
mais que paixão fugaz,
mais que a falta da paz
e da mulher?

Quem pode percorrer
o caminho que a lágrima faz
nas mãos do homem
desfeito?

Ou a lágrima é
mais que desespero
mais que queda e pedra
no caminho?

Quem pode desvendar
o caminho que a lágrima faz
no queixo do senhor
sem sonhos?

Ou a lágrima é
mais que espatifar no chão,
mais que terminar a vida
num suspiro?

Ou a lágrima é
o leite e a água,
a mulher e o levantar,
e o fôlego de vida?

sábado, 9 de maio de 2009

Para a rosa brasileira

Às vezes, a gente briga. Às vezes, ela implica. Eu também. Às vezes, acho que ela se preocupa demais. E é sempre assim. Mas ela é assim. E eu também. Ela também é meu pai, minha amiga e minha irmã mais velha. Eu, às vezes, sou chata e boba. Ela, às vezes, chora demais. Eu também. E ela sempre tem que aguentar minhas frescuras, minhas abobrinhas e minhas choradeiras. Quantas vezes evitou me preocupar com suas coisas, preferindo sorrir e perguntar o que eu queria comer. Sempre acreditou em mim e, se não fosse por ela, jamais saberia que era capaz de voar. Ela é mesmo incrível: atravessou o oceano e trouxe consigo um embrulho de cachinhos castanhos. Os melhores abraços, a melhor companhia, mesmo quando nenhuma das duas quer conversar. Quase sempre, a vida é dura. Mas a gente aguenta, firme e forte. Mesmo que as duas sejam um pouquinho orgulhosas, às vezes. Mesmo que as duas sintam falta uma da outra mais do que tudo no mundo. Mesmo que a gente esteja a 450 km de distância, e se veja a cada dois meses. Mesmo que tenha sido difícil quando a menina foi embora e a mulher ficou. E a menina voou e chorou, mas cresceu, de tão longe que foi. E a mulher ficou e chorou, mas cresceu, de tão forte que foi. De tão forte que foi, carregou a menina nas costas por anos e anos, sozinha. De tanta coisa que aconteceu, as duas viraram só uma. E a menina quer, mais do que nunca, que a mulher receba o mais bonito, o todo-infinito do seu amor.

Talvez a mulher não entenda as palavras da menina. Mas o Amor é linguagem universal.

Uma rosa pra você, a minha rosa brasileira. Mãe, te amo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Xerox

Sua vida é um plágio. Vive de originais, fabricando pilhas e pilhas de filhos e filhas de autores renomados, best-sellers e ilustrações de Biologia. A mocinha que lida com ela é até simpática, compreensiva nessa arte de copiar, descaradamente e em letras garrafais, toda a matéria de Inglês e Matemática. Sabe que ela pirateia pela subsistência, pela nota da recuperação, pelo seminário de quinta-feira, a desbravar oceanos de sulfite e cor, imortalizando-os em preto-e-branco chamuscado. Desenha células na celulose, escreve teoremas matemáticos, postulados e poemas clássicos, ganindo sempre, ao parir palavras nas folhas, para, depois, vê-las partir nas mãos da moça simpática, casando-as entre si com grampos cor de cobre. O cobre pelo níquel do aprendiz que observa, impaciente, o nascimento de uma cópia. "Geringonça," é o que pensa da mãe-pirata, a barulhar as filhas e as pilhas de papel. Vai-se embora o aluno, papeis em punho, pés apressados, rumo a um lugar tranquilo onde possa, enfim, esquadrinhar-lhe a cria, grifá-la e devorar-lhe as palavras, para, enfim - matéria aprendida, prova feita, semestre acabado - esquecê-la no fundo do armário. E rasgá-la. Triste mãe essa, que vive de criar para o matadouro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Primeiro encontro

Devo me pintar? Devo me lavar? Devo decidir: o que devo usar? Devo me mostrar? Devo me fechar? Devo ser fugaz? Devo me entregar? Devo ignorar? Devo lhe encarar? Devo me mexer? Devo congelar? Devo ser menina? Devo ser mulher? Ele vai chegar onde a gente quer? Vai olhar pra mim? Ou me despistar? Ele vai sorrir, só pra me provocar? Vai gostar de mim? Vai achar o fim? Vai se declarar, ou então, se calar? Ele vai fugir? Ele vai ficar? Ele vai fazer joguinhos de azar? Vou me envolver? Ou me embaraçar? Vou sonhar com ele, admirando o luar? E se eu tremer? E se eu me esquecer? E se eu não souber, na hora, o que fazer? Vamos nos olhar? Vamos nos gostar? Vamos esquecer o mundo a girar? Vamos abraçar? Vamos nos beijar? Vamos esquecer de como respirar? Vamos, pois, saber o que vamos sentir? Já não sei, amor, se ainda quero ir. Mas, se eu não for, não serei, então, aquela que você sempre procurou.

Ouvindo: First Kiss - Mandy Moore

domingo, 3 de maio de 2009

Eu na Garagem do Faustão!

Blogueiríssimos do coração, gostaria de fazer o meu merchan mais uma vez, pedindo que vocês acessem a Garagem do Faustão e assistam/votem/comentem/dêem nota muitas vezes aos meus vídeos. Pra quem não sabe, sou cantora e compositora, e mandei as músicas Reborn e Contratempo, que foram selecionadas. Corram lá, e, se eu tiver um número grande de acessos, eu posso aparecer no Faustão! Mas pra isso, vocês precisam assistí-los LÁ NO SITE e procurar por "Louise Mira".

Valeu a ajuda, gente, e olha lá os vídeos!

Contratempo - Louise Mira


Reborn - Louise Mira

sexta-feira, 1 de maio de 2009

É proibido proibir

Para o Tudo de Blog

Capricho pergunta: algumas cidades de São Paulo estão proibindo adolescentes de ficar fora de casa depois de um determinado horário à noite. E o lance é meio gradativo: para meninos e meninas de 14 e 15 anos, vale ficar até 22h30. Com 16 e 17 anos, mais meia horinha... Essa matéria saiu no Fantástico semana passada. A questão é: esse "toque de recolher" é legal?

É assim que começa a repressão: hoje, adolescentes mais cedo em casa; amanhã, ninguém mais sai depois da meia-noite. Hello, governo, e aquela história de "democracia-país-livre-cada-um-cuida-da-sua-vida"? Quer uma juventude consciente? Invista em educação! Quer um país mais seguro? Põe o exército na rua! Pega mais pesado nas punições de tráfico, invista em presídios de segurança máxima, mas não, não queira transformar o nosso lado em prisão! Regras são necessárias, mas bom senso e ética pessoal também são, e isso tem que vir embutido na formação de cada um. Questões políticas à parte, o que é que o governo tem que se meter numa tarefa que é unica e exclusivamente de pais e mães, que também são cidadãos e responsáveis pela formação de outros cidadãos? E como esses novos cidadãos poderão ser formados, fazer suas escolhas e seus limites, se as escolhas lhes forem tiradas e os limites impostos, não pela família, mas por desconhecidos? Portanto, ilustríssimos prefeitos do Estado, exatamente por se preocuparem tanto e por terem as melhores intenções possíveis, peçam a seus filhos para não ficarem até tarde na rua, mas, por favor, não se iludam querendo educar os filhos dos outros.

Adoro uma polêmica!