sábado, 16 de maio de 2009

As aventuras da Mulher Beterraba

Para o Tudo de Blog

Uma hippie descobre uma linda beterraba brilhante na horta de sua casa. Como adora beterraba (até brigadeiro de beterraba ela inventou!), vai logo lascando-lhe uma dentada. Mal sabia que aquela era uma beterraba extraterrestre e ultra-poderosa e, em meio a uma geração carnívora recheada de mulheres-fruta, aquela hippie pacata que sonhava ser ecologista transformou-se na...

MULHER BETERRABA! (tadáááá)

Após uma longa crise existencial e mesmo sem saber dançar o "créu", a Mulher Beterraba decidiu aceitar-se como era e botar ordem nessa bagaceira que chamamos de planeta. Com suas mechas ultra-violeta, filtrou os raios solares, liberando praia o dia inteiro para a galera. Com seu beijo avassalador, foi capaz de desentupir e despoluir esgotos, transformando o Tietê num verdadeiro ponto turístico. Foi capaz de prender, dentro de uma bola de chiclete de beterraba, todo as impurezas do ar e, com o mesmo chiclete, tapou o buraco da camada de ozônio. Sua beleza era tão deslumbrante, que os lenhadores desistiram de desmatar a Amazônia para admirá-la. A mulherada não gostou muito dessa história no começo, mas ela conquistou-as lançando a coleção Fashion Reciclation de roupas de garrafas pet com estampas de beterraba. Beterraba tornou-se a cor da moda, e a Mulher Beterraba, ícone fashion. Com seu hálito refrescante, acabou com o aquecimento global e, com sua visão beterrábica, transformou todo o lixo orgânico em beterraba, acabando, de quebra, com a fome no mundo. Barack Obama anunciou que "a beterraba é o alimento do futuro", condecorando nossa heroína com o título de "cidadã do planeta". E ela ficou tão feliz que até ensinou ao presidente a Dança da Reciclagem - que, em pouco tempo, se tornaria o novo hit do verão.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

E quem irá dizer que não existe razão...

Para o Tudo de Blog

...nas coisas feitas pelo coração? Não se pode controlar os sentimentos, mas, ainda assim, pode-se fazer escolhas em relação a eles. Você pode estar perdidamente apaixonada por alguém que não vale uma batida do seu coração, e decidir não seguir em frente para não se machucar. Ou, então, seguir em frente, quebrar a cara e, finalmente, sofrer como uma condenada, chafurdando em lágrimas e brigadeiro ao som de Celine Dion, ouvindo a sábia voz da razão que diz "eu avisei". Acredito que o verdadeiro amor nunca morre. Mas, contrariando o velho ditado, o amor não é uma dor - a paixão, sim. O amor é sábio, escolhendo, muitas vezes, o caminho mais difícil, mas infalível. Creio nisso, sinceramente. Temos um coração - um órgão tão teimoso, que nem suas batidas podemos controlar, é algo involuntário. Os sentimentos também são assim - indomáveis, terrivelmente arrebatadores, porém ingênuos. Mas ainda temos a razão amiga e sábia, que nos permite puxar o freio antes que o irrefreável nos domine por completo. Ainda somos racionais, e isso nos permite escolher entre o sofrer e o amor-próprio.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O problema não é o sexo...

Não estou fazendo generalizações ou extremismos neste post.

Para o Tudo de Blog

Dizem que vivemos o auge da Revolução Sexual - ninguém é de ninguém, cada um é cada um e o que importa é ter prazer, não importa como. Entretanto, só de ouvirem a palavra "sexo", muita gente muda de cor - por isso, preferem chamá-lo por "apelidos": "aquilo", "...", "coisinhas". As pessoas fazem, mas tem vergonha de falar - quem fala é depravada, mas também, quem não fala é encalhada. Portanto, o que na verdade vivemos é um retrocesso disfarçado de revolução. A liberação tornou-se uma forma de repressão, e isso é uma tremenda de uma hipocrisia. Porque o problema não é fazer sexo, e sim o que as pessoas fizeram com ele! Não é falar de sexo, e sim o que ele passou a significar para as pessoas - uma mera necessidade fisiológica e social. Não se fala de sexo porque "é feio", mas da "feiúra" toda em questão ninguém tem vergonha: do prazer egoísta e da falta de compromisso. Virgindade, então, virou uma espécie de "maldição", que deve ser quebrada o quanto antes, e sexo depois do casamento é a maior caretice. Pois quero dizer que, ao contrário do que muitos pensam, mantê-la até o casamento não tem nada de imposto - afinal, vivemos em uma sociedade livre, e não há lei no mundo que domine o corpo de uma pessoa. Isso é escolha, e é também uma forma de valorizar ainda mais o sexo - algo único, lindo e especial, muito mais do que apenas diversão e necessidade física. O sexo perdeu sua essência, por isso tornou-se um assunto tão constrangedor. O que as pessoas precisam não é olhar com reprovação para a palavra "sexo", mas fazer com que o sexo volte a ter algum sentido. Não tenho vergonha de falar de sexo. Tenho vergonha é do que ele se tornou.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O caminho que a lágrima faz

Quem pode saber
o caminho que a lágrima faz
nos olhos do recém
nascido?

Ou a lágrima é
mais que leite e fome,
mais que mãe e seio
e solução?

Quem pode trilhar
o caminho que a lágrima faz
no rosto do menino
triste?

Ou a lágrima é
mais que sal e água,
mais que dor e mágoa
e soluço?

Quem pode cruzar
o caminho que a lágrima faz
nos lábios do rapaz
ferido?

Ou a lágrima é
mais que paixão fugaz,
mais que a falta da paz
e da mulher?

Quem pode percorrer
o caminho que a lágrima faz
nas mãos do homem
desfeito?

Ou a lágrima é
mais que desespero
mais que queda e pedra
no caminho?

Quem pode desvendar
o caminho que a lágrima faz
no queixo do senhor
sem sonhos?

Ou a lágrima é
mais que espatifar no chão,
mais que terminar a vida
num suspiro?

Ou a lágrima é
o leite e a água,
a mulher e o levantar,
e o fôlego de vida?

sábado, 9 de maio de 2009

Para a rosa brasileira

Às vezes, a gente briga. Às vezes, ela implica. Eu também. Às vezes, acho que ela se preocupa demais. E é sempre assim. Mas ela é assim. E eu também. Ela também é meu pai, minha amiga e minha irmã mais velha. Eu, às vezes, sou chata e boba. Ela, às vezes, chora demais. Eu também. E ela sempre tem que aguentar minhas frescuras, minhas abobrinhas e minhas choradeiras. Quantas vezes evitou me preocupar com suas coisas, preferindo sorrir e perguntar o que eu queria comer. Sempre acreditou em mim e, se não fosse por ela, jamais saberia que era capaz de voar. Ela é mesmo incrível: atravessou o oceano e trouxe consigo um embrulho de cachinhos castanhos. Os melhores abraços, a melhor companhia, mesmo quando nenhuma das duas quer conversar. Quase sempre, a vida é dura. Mas a gente aguenta, firme e forte. Mesmo que as duas sejam um pouquinho orgulhosas, às vezes. Mesmo que as duas sintam falta uma da outra mais do que tudo no mundo. Mesmo que a gente esteja a 450 km de distância, e se veja a cada dois meses. Mesmo que tenha sido difícil quando a menina foi embora e a mulher ficou. E a menina voou e chorou, mas cresceu, de tão longe que foi. E a mulher ficou e chorou, mas cresceu, de tão forte que foi. De tão forte que foi, carregou a menina nas costas por anos e anos, sozinha. De tanta coisa que aconteceu, as duas viraram só uma. E a menina quer, mais do que nunca, que a mulher receba o mais bonito, o todo-infinito do seu amor.

Talvez a mulher não entenda as palavras da menina. Mas o Amor é linguagem universal.

Uma rosa pra você, a minha rosa brasileira. Mãe, te amo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Xerox

Sua vida é um plágio. Vive de originais, fabricando pilhas e pilhas de filhos e filhas de autores renomados, best-sellers e ilustrações de Biologia. A mocinha que lida com ela é até simpática, compreensiva nessa arte de copiar, descaradamente e em letras garrafais, toda a matéria de Inglês e Matemática. Sabe que ela pirateia pela subsistência, pela nota da recuperação, pelo seminário de quinta-feira, a desbravar oceanos de sulfite e cor, imortalizando-os em preto-e-branco chamuscado. Desenha células na celulose, escreve teoremas matemáticos, postulados e poemas clássicos, ganindo sempre, ao parir palavras nas folhas, para, depois, vê-las partir nas mãos da moça simpática, casando-as entre si com grampos cor de cobre. O cobre pelo níquel do aprendiz que observa, impaciente, o nascimento de uma cópia. "Geringonça," é o que pensa da mãe-pirata, a barulhar as filhas e as pilhas de papel. Vai-se embora o aluno, papeis em punho, pés apressados, rumo a um lugar tranquilo onde possa, enfim, esquadrinhar-lhe a cria, grifá-la e devorar-lhe as palavras, para, enfim - matéria aprendida, prova feita, semestre acabado - esquecê-la no fundo do armário. E rasgá-la. Triste mãe essa, que vive de criar para o matadouro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Primeiro encontro

Devo me pintar? Devo me lavar? Devo decidir: o que devo usar? Devo me mostrar? Devo me fechar? Devo ser fugaz? Devo me entregar? Devo ignorar? Devo lhe encarar? Devo me mexer? Devo congelar? Devo ser menina? Devo ser mulher? Ele vai chegar onde a gente quer? Vai olhar pra mim? Ou me despistar? Ele vai sorrir, só pra me provocar? Vai gostar de mim? Vai achar o fim? Vai se declarar, ou então, se calar? Ele vai fugir? Ele vai ficar? Ele vai fazer joguinhos de azar? Vou me envolver? Ou me embaraçar? Vou sonhar com ele, admirando o luar? E se eu tremer? E se eu me esquecer? E se eu não souber, na hora, o que fazer? Vamos nos olhar? Vamos nos gostar? Vamos esquecer o mundo a girar? Vamos abraçar? Vamos nos beijar? Vamos esquecer de como respirar? Vamos, pois, saber o que vamos sentir? Já não sei, amor, se ainda quero ir. Mas, se eu não for, não serei, então, aquela que você sempre procurou.

Ouvindo: First Kiss - Mandy Moore