sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O ano em que minha vida mudou

Para o Tudo de Blog

2009 foi uma lição de vida para mim. Foi um ano de lutas, choques, mudanças, aprendizados e crescimento. No fim das contas, tudo o que me aconteceu de ruim este ano acabou servindo para me sacudir do comodismo. Me tornei mais mulher, mais decidida, mais independente, e percebi que podia tomar minhas decisões e pensar por mim mesma, muito mais do que já sonhei algum dia. Tomei decisões difíceis e mudei radicalmente de vida - e o cabelo foi junto, já que criei coragem e realizei um sonho antigo: ficar ruiva! Vi pessoas se transformarem, grupinhos se dissolverem, e aprendi que nunca se conhece uma pessoa de verdade até que se toque em sua ferida. E o Murphy trabalhou dobrado este ano: tive dias e semanas em que TUDO (mesmo) dava errado, e tive muita vontade de chorar. Mas isso me ensinou a ser mais paciente e realista, esperando qualquer coisa da vida, porém sem perder a esperança do melhor. Aprendi a equilibrar meu tempo, e a passar mais tempo com Deus. Aprendi a dar mais valor aos almoços de domingo em família. Fortaleci laços de amizade que levarei para a vida toda, e expandi meus horizontes de tal maneira, que hoje olho para frente e vejo degraus onde, até pouco tempo, só via limites.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Apenas um crime fashion

Para o Tudo de Blog

Depois desse bafafá todo com a universitária da Uniban, fica a questão: o problema todo foi mesmo o tamanho da saia? De quem foi a culpa, no final das contas (se é que houve culpados, claro!)?

Podem falar o que for, mas posso dizer que, não, faculdade não é lugar para usar um vestido daquele tamanho! Isso não é nem questão de princípios e moral (aliás, a moral dessa sociedade está tão hipócrita, que nem comento), mas sim de ética e, claro, noção do perigo! Já é necessário tomar cuidado para usar um vestido daqueles mesmo em uma ocasião considerada apropriada - imagine em uma faculdade! Não dá. E, mesmo que a moça tenha posto o vestido "na inocência", ela é meio sem noção, não é? Afinal, usar um vestido hiper curto, que deveria ser usado para sair à noite (se bem que, ô vestidinho feio!) na faculdade, além de vulgar, fica brega pra caramba. Mas é claro que nada disso justifica o comportamento de vândalos que os estudantes apresentaram, e muito menos a expulsão da moça - se fosse uma advertência tudo bem, mas expulsão é muito extremo quando se trata de roupa. Agora, resta a pergunta que não quer calar: qual seria a real intenção da moça ao usar um vestido daquele tamanho? Por via das dúvidas, desisto de tentar entender. Prefiro encarar esse episódio apenas como mais um crime fashion.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um certo silêncio

Eduarda estava sentada sozinha na calçada. Eram umas dez da noite, calor, vestidinho, solidão. Sozinha, ela e a rua.

Passos na calçada.

- Oi.

Ela ergueu os olhos.

- Oi, Ricardo! Tá fazendo o que por aqui, a essa hora?
- Sei lá. Tava passando por aqui, e te encontrei.
- Mas você não tem prova amanhã?
- É justamente por isso que eu tô dando uma volta. Não aguentava mais aqueles números.

Ela riu.

- Se eu soubesse que você ia vir aqui, tinha feito brigadeiro.
- Ah, não inventa moda, que eu vou cobrar, hein?

Ele estava em pé. Um pouco de silêncio, um pouco de espera. Talvez um pressentimento, ou uma vontade reprimida.

- Er... Quer dar uma volta?
- Então você vai ter que me ajudar a me levantar!

Ricardo riu. Ela sempre fazia aquilo. Preguiçosa. Teimosa. Quase insuportável. Tanto quanto inseparável.

- Pronto?
- Pronto!

Seguiram andando, conversando, falando bobagens, brincando. Como sempre faziam, desde que se conheceram. Há um bom tempo.

Mas houve ainda um certo silêncio. Um certo desconforto, ou coisa assim. Ou qualquer outra coisa difícil de explicar.

- Rick?
- Hã?
- Por que a gente tá andando de mão dada?
- Sei lá... a gente já não fazia isso?
- Fazia? Ah... sei lá... acho que sim.

Riram e continuaram conversando. Perto da meia-noite, Ricardo achou melhor levar Eduarda de volta. Não havia se esquecido da prova do dia seguinte. Era a vida real interrompendo momentos legais mais uma vez.

- Bom, tá entregue.
- Valeu, Rick. Foi bem legal a gente dar uma volta.
- É, foi. Eu tava mesmo precisando relaxar, conversar um pouco.

E de novo o certo desconforto. E, dessa vez, o silêncio foi certeiro.

- Du, por que você me beijou?

Agora, o total desconforto. Disfarçado com muita naturalidade, porém.

- Por nada. Só queria saber como era.

Ele sorriu, sem jeito.

- Como era o quê?
- Esquece. A gente se cruza por aí. Tchau!

Um beijo rápido, dessa vez na bochecha. Nenhum coração partido. Apenas uma sensação esquisita. Dois jovens confusos, querendo coisas diferentes. Ricardo queria mais. Eduarda queria nunca ter feito aquilo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Murphy e eu

Se tem um cara que dedicou a vida a bolar uma lei para atrapalhar a minha, esse cara é o Murphy.

Não, eu juro que não faço ideia do que foi que eu fiz pra ele me perseguir tanto! Uns chamam isso de "inferno astral", outros, de "pé-frio", mas, no meu caso, é Murphy do puro, mesmo.

É Murphy o responsável por certas coisas que só acontecem comigo, como perder o ônibus de volta pra casa em Bauru porque o passageiro da minha frente comprou a última passagem, e ter que dormir na casa de conhecidos de conhecidos (ou seja, desconhecidos) até o dia seguinte. Ou estar sem um centavo no bolso, e o caixa eletrônico da faculdade quebrar. Ou quebrar/derrubar tudo em que ponho a mão. Ou o cabelo não colaborar de jeito nenhum, bem no dia daquela festa.

Pois é, das coisas mais corriqueiras às mais improváveis, Murphy sempre dá um jeitinho de me meter em cada uma, que vou te contar. Só não entendo o que foi que eu fiz pra essa criatura me perseguir tanto! Mesmo morto, lá está ele, fazendo e acontecendo na minha vida.

Depois, dizem que eu faço drama. Não é drama! É Murphy! E, sim, eu fui a escolhida. Fazer o quê. A gente se acostuma. Não adianta reclamar. A gente se vira como pode, e o Murphy continua lá, à nossa sombra, esperando pela menor distração e, quando você menos imagina, ele ataca. É a lei da vida, meu bem. É a Lei de Murphy.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Enquanto você dormia

No meu quarto, já era manhã.

Mas ainda parecia um sonho.

Quase conseguia ouvir o coro dos anjos. Estava tudo perfeito demais, não queria abrir os olhos.

E se você não estivesse mais ali? E se tudo aquilo fosse mesmo um sonho?

Mas aquela noite perfeita... não... foi real demais para ser um sonho. O alívio veio quando senti seus braços ainda ao meu redor. Você estava ali. Para acordar comigo, me amar, passar o resto dos seus dias ao meu lado.

Um tímido raio de sol penetrou o quarto, tocando seu rosto.

E tudo o que eu queria naquele momento era me estreitar em seus braços e continuar ouvindo sua respiração, até que você acordasse.

Real. E você era meu, e eu era sua, para o resto da vida.

Ouvindo: Fly away from here - Aerosmith

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Caiu na rede...

Para o Tudo de Blog

Pois é: nos tornamos dependentes da Internet. Diz o velho ditado que "caiu na rede, é peixe". Foi então que, fisgados pelo atrativo mundo virtual, nos deixamos levar pela correnteza e, dependentes, passamos a construir uma "segunda vida" na rede - rede essa que nos envolve cada vez mais, não só em relação às nossas vidas virtuais "particulares" (isso existe?), mas principalmente em relação às chamadas "comunidades virtuais", onde é possível construirmos novos círculos sociais (que não são, necessariamente, reflexos de nossas vidas reais) e também usá-las como uma vitrine para vendermos nossa imagem ideal para quem quiser ver. Um modismo passageiro, ou uma neurose social?

Sem querer apelar (já apelando), as comunidades virtuais acabaram virando um grande reality show. Superexposição, ostentação e muito desperdício de tempo fazem parte da brincadeira de nos montarmos em avatares e bytes pelas redes de relacionamento. Muitos veem o mundo virtual como uma espécie de "terra do nunca": todo o tempo do mundo, tudo é possível. E o Google virou religião, fada madrinha, gênio da lâmpada e pai-dos-burros, capaz dos mais variados encantamentos, capazes de transformar o nerd mais solitário do mundo real no fake mais hot do mundo virtual. Mas cuidado: o "olho que tudo vê" (mas que ninguém nunca viu) é o vilão da história, sempre pronto a pegar no flagra o menor deslize virtual e transformá-lo em um problema de reputação bem real (imagine se seu chefe vê aquela sua comunidade "Eu bebo pra ca%@*#"...).

Uma vez que caímos na rede, é difícil escapar dela. E, fora dela, nos sentimos peixes fora d'água. Por isso, a saída é encará-la como um mal necessário. Usar a Internet como mecanismo social pode trazer muitas vantagens e facilidades, inclusive na famigerada hora de conseguirmos um emprego, por exemplo. Mas é complicado quando a vida virtual engole a real, e a situação foge do controle. Afinal, para que tanta exposição? Comportamento megalomaníaco, necessidade de auto-afirmação, insegurança ou futilidade? Não seria mais produtivo "cuidarmos de nossas vidas", literalmente? Ou vamos nos conformar em virar peixinhos de aquário e ficar fazendo vida para os outros acompanharem?

sábado, 17 de outubro de 2009

Um brinde

Beber até a última
gota
de amor.
Sorver-te quente,
licor,
trêmulo torpor.

Embriagar-me
Entorpecer-me
Envolver-me
Envenenar-me

E tornar a viver
Quando, na última gota
Tocar os lábios
De quem me quer

Reavivar-me
Restituir-me
Reanimar-me
Reviver-me

E tornar ao cálice
E ao início
Enchendo a taça
De dois

Um brinde,
Um gole,
A nós
E ao depois.