domingo, 24 de maio de 2009

Como a faculdade mudou minha vida

- Hoje me dei conta de que estudo SETE dias por semana. Depois venho falar que não sou nerd...
- Faz quase QUATRO meses que não consigo compôr. Será por causa da falta de tempo?
- Faz quase DOIS meses que não vejo meu namorado. Novidade, quem mandou querer estudar onde o emo perdeu o All Star?
- Quando você acha que fez uma tradução brilhante, vem o seu professor e lhe mostra o quanto estava redondamente enganada.
- Minha vida social de sábado à noite tem se resumido a traduzir. Logo, ela não existe. Por motivo de força maior.
- Nunca passei tanto tempo no computador. Orkut? Blog? Twitter? Traduzindo, meu bem. ¬¬
- O último livro que li foi um monólogo em italiano. Para a faculdade, é claro.
- Tenho passado a ser mais compreensiva com assassinos da Língua Portuguesa. Afinal, a Linguística explica...
- Nunca mais fundamento teorias em exemplos.
- Não aguento mais comer barrinhas de cereal de lanche e esquecer de beber água.
- Eu achava que meu inglês era bom. É, eu achava.
- Eu achava que estudava no cursinho. É, eu achava.
- Eu achava que era super inteligente. É, eu achava.
- Rio sozinha de trechos de livros que traduzo. Pra, depois de viciar na história, descobrir que o professor não vai dar a continuação, e ficar louca pra saber o que vai acontecer com o carinha do X Men.
- Sinto fome o tempo todo. Pra chegar em casa e não aguentar comer meio cacho de uva.
- Erro bobagens nas provas. Droga de preposição!
- O professor confirma prova de véspera e, na hora H, você não lembra whatahell foi Baktin e muito menos o que ele disse.
- Provas de livros de cem páginas sem consulta são a coisa mais comum do mundo. Principalmente quando você não prestou atenção em UMA aula pra ficar conversando por bilhetinho.
- O bom são os luais. Nada como violãozinho e pizza pra limpar a cabeça.
- Nunca foi tão divertido assistir à Sessão da Tarde quando alguma aula é cancelada.
- Meu cardápio é tão balanceado: marmitex, omeletes, miojo e uma infinidade de produtos congelados fazem meu fim de semana muito mais feliz!
- Não tem mais mãe te esperando com o almoço pronto - tem você chegando com o almoço pronto e encontrando suas colegas de república.
- Acho incrível o amor que as pessoas tem por mim no MSN. Mesmo quando meu status está "ocupado" e meu subnick diz "traduzindo".
- Achava ruim tirar sete no colegial. Hoje, acho ótimo, colossal, maravilhoso, um verdadeiro prodígio!
- Tem também as sessões-cinema, em notebooks com filmes baixados da web e brigadeiro de panela.
- Ah, nada como matar a primeira aula da segunda pra ficar dormindo. Sabe como é final de semestre...
- E sabe de uma coisa? Isso, ainda assim, é MUITO melhor que o colegial!!!

sábado, 23 de maio de 2009

Ser e não ser

Quando eu não for o sentido, Você será a solução.
Quando eu não for o poema, Você será a canção.
Quando eu não for o sol, Você será o verão.
Quando eu não for a saída, Você será o caminho.
Quando eu não for a energia, Você será o raio.
Quando eu não for o melhor, Você será o vencedor.
Quando eu não for a palavra, Você será o som.
Quando eu já não for, Você será o Eu Sou.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O último romântico

- Machucou?
- Não, mas posso machucar, se você quiser.
- Calma, gatinha! É que você caiu do céu...
- Posso fazer da sua vida um inferno se você não sumir agora.
- É que eu ia perguntar se teu pai é ladrão.
- Não, mas eu tenho graves antecedentes criminais, tipo assassinato de losers.
- Mas é que ele roubou o brilho das estrelas e colocou no seu olhar.
- Eu posso colocar um roxo no seu, se você insistir.
- Ah, me dá uma chance! Tô fazendo uma campanha de doação de órgãos! Não quer doar seu coração pra mim, não?
- O coração, não senhor, mas metade do meu cérebro seria bem útil...
- Poxa, eu aqui, tão romântico, e você me dá uma dessas!
- Posso fazer com que você seja o ÚLTIMO romântico da face da Terra.
- Ah, meu pitelzinho... você é a areia do meu cimento!
- É, de fato, sou muita areia pro teu caminhãozinho. Passar bem! ¬¬

E depois a gente reclama que eles são lerdos...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Abrir os braços,

e voar outra vez. Ser quem sou, fugir do mundo e das obrigações, das coisas chatas e sem sentido. Ouvir somente o corpo e a alma, ser selvagem e livre. Os instintos e o ar, o coração e os pulmões, a vida inteira e a linguagem das mãos e dos pés. Despir-me, soltar-me, desnudar-me, desvendar-me do que pediram que me tornasse. Fugir para ser livre, saber o que se esconde por trás das nuvens - realidade pura e simples, nada de extraordinário. E é por isso mesmo que é tão extraordinária.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mãos dadas

Toca uma vez.

Atende, caramba.

Duas. Mas já faz três dias que a gente brigou!

Três. Vou esperar mais três.

Quatro. Tô perdendo tempo.

Cinco. Juro que esta foi a última vez que...

- Oi.

A voz de Jill não parecia tão seca desta vez. Já minha garganta...

- É... oi. Oi, Jill. Será que a gente pode, tipo, conversar? Sabe como é que é, né... já faz três dias e... e...

Droga, nunca sei como tocar em assuntos delicados.

- Você vem aqui?

É impressão minha, ou ouvi um sorriso em sua voz?

Peguei a jaqueta e saí em disparada. A gente só morava a dois quarteirões de distância, mesmo - então, poderia acabar logo com aquilo.

Achei melhor não gritar seu nome como sempre fazia, apesar do enorme desespero que tomava conta de mim. Eu e a minha menina, de novo - será? Será que, afinal, eu merecia uma chance? Ela é quem não merecia. Mas não importa - eu a amava!

A porta se abre. Lá está minha menina, com seus cabelos de fogo, com suas meias três quartos, meio furadas no dedão, com sua camiseta velha e esgarçada, e um contrastante brilho cor-de-rosa nos lábios, abertos em um sorriso sem jeito.

Mas não sem graça.

- Oi, Jill.

Ela reprimiu um beijo. Mas, pela primeira vez e a muito custo, pareceu ceder um milímetro.

- Me. Perdoa. Tá?

E, lançando-se a mim, escondeu o rosto em meu ombro. Tão frágil, tão inocente, tão infantil. No fundo, era essa a Jill que existia por trás daquela fachada rebelde e revolucionária. Uma Jill que amava, mas não conseguia demonstrar. E eu era todo seu, pronto a entregar-lhe todo o meu amor.

E a gente não falou mais nada. Eu conhecia a orgulhosa, a teimosa, a impertinente da Jill. Mas o que importava? Eu a amava! Mais me faria sofrer sua ausência a sua impertinência. Mais me faria falta essa vida toda que ela me passa, essa paz tempestuosa que via em seus olhos. Eu era bobo, sim - bobo por ela. Mas meu amor era sincero, sempre foi.

E nos sentamos no muro, como fazíamos todas as sextas antes que seus pais a chamassem, falando de tudo e de nada, da falta que fizemos um ao outro e do ralado novo no joelho dela - despenteados, mãos dadas, lua nova, e a maior felicidade do mundo estampada na cara.

sábado, 16 de maio de 2009

As aventuras da Mulher Beterraba

Para o Tudo de Blog

Uma hippie descobre uma linda beterraba brilhante na horta de sua casa. Como adora beterraba (até brigadeiro de beterraba ela inventou!), vai logo lascando-lhe uma dentada. Mal sabia que aquela era uma beterraba extraterrestre e ultra-poderosa e, em meio a uma geração carnívora recheada de mulheres-fruta, aquela hippie pacata que sonhava ser ecologista transformou-se na...

MULHER BETERRABA! (tadáááá)

Após uma longa crise existencial e mesmo sem saber dançar o "créu", a Mulher Beterraba decidiu aceitar-se como era e botar ordem nessa bagaceira que chamamos de planeta. Com suas mechas ultra-violeta, filtrou os raios solares, liberando praia o dia inteiro para a galera. Com seu beijo avassalador, foi capaz de desentupir e despoluir esgotos, transformando o Tietê num verdadeiro ponto turístico. Foi capaz de prender, dentro de uma bola de chiclete de beterraba, todo as impurezas do ar e, com o mesmo chiclete, tapou o buraco da camada de ozônio. Sua beleza era tão deslumbrante, que os lenhadores desistiram de desmatar a Amazônia para admirá-la. A mulherada não gostou muito dessa história no começo, mas ela conquistou-as lançando a coleção Fashion Reciclation de roupas de garrafas pet com estampas de beterraba. Beterraba tornou-se a cor da moda, e a Mulher Beterraba, ícone fashion. Com seu hálito refrescante, acabou com o aquecimento global e, com sua visão beterrábica, transformou todo o lixo orgânico em beterraba, acabando, de quebra, com a fome no mundo. Barack Obama anunciou que "a beterraba é o alimento do futuro", condecorando nossa heroína com o título de "cidadã do planeta". E ela ficou tão feliz que até ensinou ao presidente a Dança da Reciclagem - que, em pouco tempo, se tornaria o novo hit do verão.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

E quem irá dizer que não existe razão...

Para o Tudo de Blog

...nas coisas feitas pelo coração? Não se pode controlar os sentimentos, mas, ainda assim, pode-se fazer escolhas em relação a eles. Você pode estar perdidamente apaixonada por alguém que não vale uma batida do seu coração, e decidir não seguir em frente para não se machucar. Ou, então, seguir em frente, quebrar a cara e, finalmente, sofrer como uma condenada, chafurdando em lágrimas e brigadeiro ao som de Celine Dion, ouvindo a sábia voz da razão que diz "eu avisei". Acredito que o verdadeiro amor nunca morre. Mas, contrariando o velho ditado, o amor não é uma dor - a paixão, sim. O amor é sábio, escolhendo, muitas vezes, o caminho mais difícil, mas infalível. Creio nisso, sinceramente. Temos um coração - um órgão tão teimoso, que nem suas batidas podemos controlar, é algo involuntário. Os sentimentos também são assim - indomáveis, terrivelmente arrebatadores, porém ingênuos. Mas ainda temos a razão amiga e sábia, que nos permite puxar o freio antes que o irrefreável nos domine por completo. Ainda somos racionais, e isso nos permite escolher entre o sofrer e o amor-próprio.